TRATAMENTO COM POLILAMININA

Adolescente argentina é primeira menor de idade no Brasil a receber tratamento com polilaminina

Jovem argentina sofreu grave lesão medular após acidente em Minas Gerais e se tornou a primeira menor de idade no país a receber autorização judicial para uso compassivo da substância

Publicado em 07/10/2026 às 09:58Atualizado em 07/10/2026 às 09:58
Compartilhar

Uma adolescente argentina de 13 anos recebeu autorização da Justiça Federal para realizar um tratamento experimental com polilaminina após sofrer uma grave lesão medular em um acidente de moto em Minas Gerais. Segundo informações do processo, o caso é o primeiro no Brasil envolvendo uma pessoa menor de 18 anos autorizada judicialmente a receber a substância.

O acidente aconteceu em 12 de setembro. A jovem sofreu um trauma raquimedular agudo, com fratura-luxação da coluna entre as vértebras T8 e T9 e lesão medular completa, provocando perda das funções motoras e sensitivas abaixo do local atingido. Ela estava no Brasil com os pais e foi atendida no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

Diante da gravidade do quadro e da ausência de alternativas convencionais capazes de reverter o dano neurológico, a médica responsável indicou o uso compassivo da polilaminina. A substância ainda está em fase de pesquisa clínica e é estudada para possíveis aplicações no tratamento de lesões da medula espinhal.

Tratamento foi negado inicialmente

O acesso à substância foi inicialmente negado pelo laboratório Cristália porque a adolescente não atendia aos critérios de idade previstos no protocolo do estudo clínico de fase 1.

A pesquisa autorizada pela Anvisa prevê, nesta primeira etapa, participantes adultos com 18 a 72 anos, lesão medular completa entre T2 e T10, trauma ocorrido há menos de 72 horas e indicação cirúrgica. O objetivo principal da fase 1 é avaliar a segurança da aplicação da substância em humanos, e não comprovar sua eficácia.

Os pais da adolescente recorreram à Justiça Federal e argumentaram que a situação precisava ser analisada individualmente, considerando a gravidade do quadro e a urgência relacionada à lesão.

Justiça autorizou uso compassivo

Em decisão proferida em 19 de setembro, o juiz federal Guilherme Mendonça Doehler autorizou a inclusão da adolescente no tratamento experimental e determinou que as medidas necessárias fossem tomadas em até 48 horas.

O magistrado considerou a gravidade da lesão e o risco de danos irreversíveis com a passagem do tempo. Também avaliou que não havia uma contraindicação absoluta para o uso da polilaminina em menores de 18 anos no caso específico.

A decisão, porém, deixou claro que a autorização não significa que a eficácia da substância esteja comprovada. O tratamento deve seguir medidas de segurança, consentimento dos responsáveis e acompanhamento médico especializado.

Polilaminina ainda está em estudo

A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo. A proposta em estudo é avaliar seu potencial para auxiliar na recuperação de lesões da medula espinhal.

A Anvisa autorizou em janeiro de 2026 o estudo clínico de fase 1, que envolve cinco pacientes adultos. Essa etapa é voltada principalmente à avaliação da segurança e ainda não permite concluir se o tratamento é eficaz na recuperação funcional de pessoas com lesão medular.

No caso da adolescente, a aplicação foi autorizada de forma excepcional pela Justiça. Segundo as informações do processo, ela recebeu o tratamento ao longo desta semana.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por