A CASA CAIU

Alexandre Pires é alvo de nova operação da PF que investiga esquema de lavagem de dinheiro

Publicado em 23/09/2026 às 11:40
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O cantor Alexandre Pires é um dos alvos da segunda fase da Operação Disco de Ouro, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (23). A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em lavagem de capitais, falsidade ideológica, operações financeiras irregulares e outros crimes de caráter transnacional.

De acordo com a PF, o grupo investigado também teria participado do financiamento e da estrutura logística relacionada ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Nesta etapa, os agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais de sequestro de bens e valores, expedidos pela Justiça Federal.

A investigação aponta para a movimentação e tentativa de ocultação de mais de US$ 48 milhões. Segundo os investigadores, os recursos teriam circulado por empresas brasileiras e estrangeiras, contas de terceiros, transações internacionais e mecanismos informais de compensação financeira.

A estrutura investigada teria utilizado diferentes pessoas físicas e jurídicas para distribuir os recursos e dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.

Operação é desdobramento de investigação iniciada em 2023

A ação desta quarta-feira é uma continuidade da primeira fase da Operação Disco de Ouro, realizada em dezembro de 2023. Na ocasião, Alexandre Pires foi alvo de busca e apreensão enquanto estava em um cruzeiro no litoral de Santos (SP), onde fazia apresentações.

Na nova etapa, a PF concentra a apuração em possíveis irregularidades relacionadas à comercialização e exportação de minério, além da utilização de documentos que poderiam ter sido produzidos para dar aparência de legalidade às operações investigadas.

Os envolvidos podem responder, conforme a participação individual apontada pela investigação, por crimes como lavagem de capitais, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira, além de outras infrações que eventualmente sejam identificadas no decorrer do inquérito.

Segundo a PF, as medidas têm como objetivo obter novas provas, interromper as atividades sob investigação e localizar bens e valores que possam estar relacionados aos crimes.

Investigação já havia citado transferência para conta ligada ao cantor

A primeira fase da operação apurava um suposto esquema de financiamento e logística do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Na ocasião, os investigadores identificaram uma transferência de pelo menos R$ 1 milhão para uma conta ligada a Alexandre Pires, segundo a PF.

A apuração também mencionava a participação de pilotos de aeronaves, postos de combustíveis e estabelecimentos que comercializavam máquinas.

A investigação teve origem em 2022, após a apreensão de aproximadamente 30 toneladas de cassiterita na sede de uma empresa investigada. O minério, segundo a PF, estaria sendo preparado para exportação.

Na época, os investigadores suspeitavam que a cassiterita tivesse sido extraída ilegalmente em Roraima e posteriormente apresentada documentalmente como proveniente de uma área regular de garimpo no Rio Tapajós, em Itaituba (PA).

Empresário do cantor também foi investigado

Durante a primeira fase, Matheus Possebon, empresário de Alexandre Pires, foi preso preventivamente pela PF após deixar o cruzeiro em que o cantor se apresentava.

A defesa de Possebon afirmou, naquele momento, que a prisão estava relacionada a uma única transação financeira com uma empresa com a qual ele não mantinha relação comercial e que ele poderia prestar esclarecimentos sobre a operação.

Também em 2023, a defesa de Alexandre Pires negou envolvimento do artista com garimpo ou extração ilegal de minério em terras indígenas. Os advogados afirmaram que o cantor havia sido surpreendido pela inclusão de seu nome na investigação e negaram a prática de ilícitos.

A empresa responsável pela gestão da carreira do artista também declarou, na época, desconhecer atividades ilegais envolvendo colaboradores ou parceiros e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos.

A defesa de Alexandre Pires foi procurada sobre a nova operação. O espaço permanece aberto para manifestação.

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