TRAGÉDIAS

Mortes em acidentes de helicóptero no Brasil batem recorde desde 2018

País soma 21 vítimas em cinco acidentes fatais neste ano; caso mais recente foi a queda que matou o cantor Rick e outras quatro pessoas em Santa Catarina

Publicado em 23/09/2026 às 09:03
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O Brasil registrou, em 2026, o maior número de mortes em acidentes envolvendo helicópteros desde 2018, quando teve início a série histórica de estatísticas da Aeronáutica. Até terça-feira (22), 21 pessoas morreram em cinco acidentes fatais no país.

O caso mais recente aconteceu em Santa Catarina e matou cinco pessoas, entre elas o cantor Rick, da dupla com Renner. A aeronave desapareceu na tarde de segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo e São Joaquim, e foi localizada na Serra Catarinense no dia seguinte.

O número de mortes em 2026 supera a marca registrada em 2018, quando 16 pessoas morreram em acidentes com helicópteros. Em 2025, foram sete mortes, enquanto 2024 terminou com 15 vítimas.

Os dados fazem parte do Painel Sipaer, do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.

Mortes representam 43% dos óbitos em acidentes aéreos

As 21 mortes registradas em acidentes com helicópteros representam 43% dos óbitos em acidentes aéreos no Brasil neste ano, segundo o levantamento.

O aumento ocorre em um período de expansão da frota de aviação executiva, que inclui helicópteros. Dados do Registro Aeronáutico Brasileiro, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), apontam crescimento de 20,1% no número de aeronaves do segmento entre maio de 2022 e maio de 2026.

A frota passou de 9.460 para 11.362 aeronaves no período. Apenas o segmento de helicópteros cresceu cerca de 23% entre maio de 2024 e maio de 2026, passando de 1.889 para 2.315 unidades.

Número de mortes não indica, sozinho, piora na segurança

Apesar do aumento no número absoluto de vítimas, especialistas ouvidos pelo levantamento alertam que esse dado, isoladamente, não é suficiente para afirmar que houve uma piora estrutural na segurança da aviação de helicópteros.

Entre os indicadores que precisam ser considerados estão a quantidade de acidentes em relação ao número de horas voadas, a proporção de ocorrências fatais e a gravidade dos acidentes ao longo dos anos.

Rio concentra ocorrências

O levantamento também aponta concentração de acidentes e incidentes com helicópteros no Rio de Janeiro. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, o estado respondeu por 64% das ocorrências registradas no país.

Em junho deste ano, dois helicópteros colidiram no ar na região do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. As seis pessoas que estavam nas duas aeronaves morreram.

Em agosto, outro helicóptero de voo panorâmico caiu em uma área de mata próxima à Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. O piloto e três turistas colombianas morreram.

O perfil da região, com voos panorâmicos e operações de táxi aéreo em áreas de alta densidade, é apontado como um dos fatores que devem ser considerados na análise das ocorrências.

Queda que matou Rick

O acidente mais recente ocorreu na Serra Catarinense. O helicóptero que transportava o cantor Rick, da dupla com Renner, desapareceu após sair de Porto Belo com destino a São Joaquim.

A aeronave foi localizada na terça-feira (22), em uma área de mata de difícil acesso. Nenhum dos cinco ocupantes sobreviveu. Entre as vítimas estavam Rick, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e os pilotos Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e Leopoldo Barros Teixeira.

As circunstâncias da queda ainda serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

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