A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, ao longo de 2026, 12 novas canetas injetáveis indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. São dez medicamentos à base de semaglutida e dois de liraglutida.
A ampliação do mercado ocorreu principalmente após o fim da patente da semaglutida no Brasil, em março. A mudança abriu espaço para a chegada de medicamentos genéricos e similares ao país.
Apesar do aumento no número de opções, a escolha do medicamento não deve considerar apenas o preço. Os produtos não são necessariamente intercambiáveis e a indicação precisa levar em conta as características de cada paciente, além de acompanhamento médico.
A semaglutida ficou conhecida principalmente por estar presente no Ozempic e no Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk. A substância atua sobre os receptores do GLP-1, ajudando no controle da glicemia, na redução do apetite e no aumento da sensação de saciedade.
A exclusividade da Novo Nordisk terminou em 20 de março de 2026.
O primeiro novo medicamento registrado pela Anvisa após a queda da patente foi o Ozivy, da EMS, aprovado em maio para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado.
Depois, em julho, a agência autorizou cinco medicamentos à base de semaglutida: Semavy, Owozy, Zempneo, Seemasun e Orsema.
Em agosto, chegaram ao mercado regulatório os primeiros genéricos de semaglutida e também o similar Semaclique, da Germed. No fim do mês, a Anvisa aprovou ainda o Yluméc, da EMS.
Ao todo, as dez opções aprovadas em 2026 são:
Nem todos os produtos já estão disponíveis nas farmácias. As novas aprovações ainda precisam passar por etapas como a definição de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
O Ozempic é encontrado por cerca de R$ 975 nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg pelo programa Preço NovoDia no comércio eletrônico, enquanto a apresentação de 1 mg custa cerca de R$ 999.
Já o Ozivy chegou às farmácias com preços anunciados entre R$ 452 e R$ 498 por caneta.
Pela legislação, os medicamentos genéricos devem custar pelo menos 35% menos que o medicamento de referência. Com base nos valores de lançamento do Ozivy, a estimativa é que os genéricos fiquem entre R$ 293 e R$ 323.
Os preços podem variar entre farmácias e conforme a apresentação do medicamento.
A Anvisa aprovou em setembro dois novos medicamentos genéricos de liraglutida, produzidos pela EMS. A substância também pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 e é utilizada no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, conforme as indicações aprovadas.
Os novos produtos têm como referência o Olire e o Linux, da própria EMS, que começaram a chegar às farmácias no fim de 2025.
As canetas de 6 mg dos dois medicamentos são anunciadas a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias na internet.
Uma das principais diferenças em relação à semaglutida e à tirzepatida está na frequência de aplicação. Enquanto esses medicamentos costumam ser administrados uma vez por semana, a liraglutida geralmente exige aplicação diária.
A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, também é utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, conforme as indicações autorizadas pela Anvisa.
Diferentemente da semaglutida, a tirzepatida atua sobre dois hormônios envolvidos no controle metabólico, o GLP-1 e o GIP.
A substância continua protegida por patente no Brasil. Por isso, o Mounjaro, da Eli Lilly, permanece como a única opção aprovada pela Anvisa com tirzepatida.
Outra substância da mesma família é a dulaglutida, cujo principal medicamento de referência no Brasil é o Trulicity, também da Eli Lilly.
O medicamento é aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2. Até o momento, não há versões genéricas ou similares da substância no país, já que ela permanece protegida por patente.
Com o aumento da oferta, a tendência é que os pacientes encontrem mais opções no mercado. No entanto, especialistas ressaltam que os medicamentos não devem ser escolhidos apenas pelo valor.
A decisão precisa considerar o diagnóstico, o objetivo do tratamento, outras doenças apresentadas pelo paciente, os estudos disponíveis e a possibilidade de manter o tratamento por períodos prolongados.
Os medicamentos dessa classe também podem provocar efeitos colaterais, principalmente relacionados ao sistema gastrointestinal, como náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e alterações do hábito intestinal.
Como diabetes e obesidade são doenças crônicas, o custo de manter o tratamento por meses ou anos também pode influenciar na escolha.
Por isso, a indicação e eventuais mudanças entre medicamentos devem ser feitas com acompanhamento médico.