Fot Jairo Chagas
Por quase duas horas, representantes de 70 famílias ocuparam o corredor do prédio para pedir a queda de liminar
O expediente judiciário no Fórum Melo Viana começou nesta segunda-feira (29), em meio a gritos com palavras de ordem, palmas e apitos. Representantes de cerca de 70 famílias ocuparam, por quase duas horas, o corredor principal do prédio pedindo a queda da liminar de reintegração de área ocupada em Campo Florido pelo assentamento Vitória. A decisão foi proferida pelo juiz da 2ª Vara Cível, Fabiano Rubinger de Queiroz, que deu 10 dias para que as 900 famílias deixem o local pacificamente.
À reportagem do JM, o magistrado disse que entende e respeita a manifestação da comunidade, desde que feita fora do prédio público, pois da forma como o protesto ocorreu acabou dificultando o andamento de processos importantes que demoraram a ser encaminhados ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público, bem como também feriu o direito de acesso à Justiça do restante da população.
Fabiano Rubinger ressaltou ainda que teria recebido uma comissão formada por membros do assentamento para conversar sobre a ação, se esta tivesse sido solicitada, mas alertou que não vai ceder à pressão. Neste sentido, informou que não há qualquer possibilidade de a liminar ser revogada por sua parte. “Pelo contrário, o recurso é o instrumento hábil para que consigam qualquer coisa junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais”.
O advogado que representa as famílias do Assentamento Vitória, Eder Ferreira, chegou a protocolar na Administração do Fórum, às 13h26, “prévio aviso de exercício do direito à reunião com a finalidade de apresentar protesto pela ilegalidade da decisão liminar de reintegração”. A medida foi classificada pelo magistrado como um despautério, pois, quando ocorreu, os manifestantes já estavam dentro do prédio.
A Polícia Militar foi chamada para manter o protesto pacífico e negociar a saída dos manifestantes sem tumulto. Não houve conflito entre assentados e PMs, e o movimento terminou por volta de 14h30.