GERAL

Baseada em fatos reais, série "Recomeço" faz sucesso na Netflix

O Tempo
Publicado em 11/11/2022 às 20:06Atualizado em 15/12/2022 às 23:28
Compartilhar

A expressão italiana colpo di fulmine, que faz referência àquelas paixões que nascem instantaneamente, à primeira troca de olhares, cai como uma luva para o personagem Lino Ortolano (Eugenio Mastrandrea), que é flechado pelo Cupido no instante em que esbarra com Amy (Zoe Saldaña) pelas ruas de Florença.

Ele é italiano, nascido na Sicília, o que o faz, como ele próprio aponta, ser vítima de preconceito em seu próprio país. Às vezes. visto como um estrangeiro. Ela é uma bela garota norte-americana (nascida em Houston, no Texas), que foi para uma das mais famosas cidades da região da Toscana para estudar arte, atendendo a uma pulsão interna, para desconforto do pai durão, que claramente preferia uma profissão tradicional.

As primeiras cenas de "Recomeço", série em alta na Netflix, são, imageticamente falando, exuberantes. Transbordam, são de estarrecer, de deixar o espectador de boca aberta. Na verdade, nem deve ter sido uma tarefa hercúlea extrair tantas belas imagens da cidade conhecida pelos tesouros que guarda, como o Davi, de Michelangelo, ou as obras de Sandro Botticelli, para não falar das construções icônicas, com seus portais, abóbadas. Depois, a série tem sua ação deslocada para os EUA, com retornos a Florença e paradas também na Sicília.

Quanto à história, certamente, o leitor já deve ter se deparado recentemente com algum comentário nas redes, por vezes acompanhado de emojis de choro. Porque nem adianta usar o termo spoiler, aqui. Como se sabe, a minissérie da Netflix é inspirada no livro "From Scratch: A Memoir of Love, Sicily, and Finding Home Hardcover" - lançado no Brasil pela editora Intrínseca, mas com o mesmo nome da série -, que, por sua vez, é autobiográfico. A autora é a atriz e ativista norte-americana Tembi Locke, hoje com 52 anos, que divide sua história de amor com o italiano Saro, interrompida pela partida dele, que coloca fim a uma longa batalha contra um câncer agressivo.

Listamos, aqui, seis curiosidades da série-sensação.

Reese Whiterspoon é produtora. Em 2017, a atriz de "Legalmente Loira", "Johnny e June" e "Big Little Lies", entre outros filmes e séries, criou um Clube de Leitura voltado à apreciação de obras escritas por mulheres e sobre mulheres. Foi lá que ela travou contato com a obra de Tembi, após a indicação de Attica Locke, que vem ser a irmã da autora. Reese falava sobre a quase inexistência de obras que abordavam a relação entre sogras e noras, o que levou Attica a citar o livro da irmã - porque sim, é uma relação importante em foco. Após a leitura, Reese enxergou potencial para transformá-la em série, que foi viabilizada por meio de sua Hello Sunshine Production. Tembi e Attica foram incumbidas de construir o roteiro.

A lindeza que é Zoe Saldaña. Embora tenha 44 anos, a atriz interpreta, neste produção, uma personagem bem mais jovem, na faixa dos 20 anos. O ator Eugenio Mastrandrea, seu par romântico na tela, tem 28 anos. Como Tembi, Zoe também é casada com um italiano, Antonio Perrego, com quem tem três filhos, Bowie, Cy e Zen. Ele ensaiava uma carreira no futebol quando um problema no joelho abortou seu sonho, fazendo-o ir para os EUA atrás de outra paixão, a arte. E sim, tornou-se um pintor bem sucedido. O casal se conheceu em um voo para Nova York.

Tembi Locke, a autora do livro. Tembekile "Tembi" Michale Locke é uma atriz e ativista norte-americana, formada em História da Arte pela Universidade Wesleyan. Ficou conhecida por interpretar a Dra. Grace Monroe na série "Eureka" e a Dra. Diana Davis em "Sliders". Também apareceu em séries como "The Mentalist", "Castle" e "Bones". Tembi é, hoje, palestrante, atriz e roteirista e já participou de mais de 60 produções audiovisuais. Atualmente, vive entre Los Angeles e a Sicília. Depois da morte do primeiro marido, ela se casou novamente em julho de 2020, em plena pandemia - por isso, o casal optou por uma cerimônia intimista, apenas os dois e Zoela, filha de Tembi e Saro.

O câncer de Saro Gullo. O italiano faleceu em 2012, após ter passado dez anos lutando contra um chamado leiomiossarcoma (LMP), um tipo de câncer raro e de difícil tratamento, exigindo, muitas vezes, a remoção cirúrgica do tumor. Recentemente, Tembi postou uma foto do marido no seu Instagram (abaixo) com os dizeres: "Você vive em meu coração, na alma de sua filha, na bondade de seus amigos e nas lembranças de familiares próximos e distantes. Seu amor chega a todos nós como um chamado. Que esse amor sempre nos encontre quando mais precisarmos. Que a inspiração de sua vida seja uma luz na escuridão. Que sua alegria nos lembre de amar plenamente e descobrir a beleza da vida em cada pequeno detalhe. Grazie, amore mio bellissimo. Mi manchi tutti i giorni, per tutta la vita. Ao infinito".

Síndrome de Stendhal. Em uma das primeiras aulas de arte, a professora fala da Síndrome de Stendhal. O fenomêno foi descrito pelo escritor francês no livro "Roma, Nápoles e Florença", de 1817. Stendhal (1783-1842) refere-se a uma estranha sensação que o invadiu em Florença: "Eu caí numa espécie de êxtase ao pensar na ideia de estar em Florença, próximo aos grandes homens cujos túmulos eu tinha visto. Absorto na contemplação da beleza sublime… Cheguei ao ponto em que uma pessoa enfrenta sensações celestiais… Tudo falava tão vividamente à minha alma… Ah, se eu tão-somente pudesse esquecer. Eu senti palpitações no coração, o que em Berlim chamam de 'nervos'. A vida foi sugada de mim. Eu caminhava com medo de cair". A Síndrome de Stendhal é também conhecida como Síndrome de Florença, e fala da forte reação que algumas pessoas mais sensíveis podem ter ao ficarem expostas a obras de arte. Matéria de 2018 da BBC News listou alguns sintomas: vertigens, taquicardia, desmaio, confusão mental e alucinações. Abaixo, tela de Johann Olaf de Södermark, expoente da Escola Sueca, que representa Stendhal. A obra está no Museu do Castelo de Versalhes.

Firenze (ou Florença). A cidade italiana fica numa das regiões mais visadas pelos turistas, a Toscana. É considerada um museu a céu aberto e o berço do Renascimento, abrigando obras como o David, de Michelangelo Buonarroti (nascido em Caprese Michelangelo, comuna da província de Arezzo). Michelangelo, aliás, é, no primeiro capítulo, o único nome que Amy consegue citar quando perguntada sobre os artistas da região. Natural, posto que ela está no início de sua caminhada pelo universo das artes plásticas. Na região nasceram talentos como Fra Filippo Lippi, Sandro Botticelli ou Ghirlandaio. A série passa por vários cartões-postais da cidade, com belas imagens, como a réplica do Davi na Piazza della Signoria ou o Javali do Mercado Novo.  

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por