JUROS

CDL, Fecomércio e Fiemg afirmam que redução da Selic para 14,75% ainda é insuficiente

Apesar da crítica, entidades empresariais consideram que a decisão foi um "respiro" para o mercado e esperam que a taxa continue caindo nos próximos meses

Rodrigo Oliveira/O Tempo
Publicado em 18/03/2026 às 19:37
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A redução da taxa básica de juros (Selic) para 14,75% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) nesta quarta-feira (18/3) foi considerada um "respiro" por entidades do comércio e indústria de Minas Gerais. No entanto, o corte de 0,25 ponto percentual ainda é visto como "insuficiente" pelo mercado.

Em nota, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), falou que a decisão era aguardada há "bastante tempo" e sinaliza um bom caminho para a retomada de investimentos, além da melhora no acesso ao crédito, aumento de capital de giro e disposição para consumo e investimentos.

“Essa queda é um passo importante para retomarmos o fôlego do setor de comércio e serviços,  fortalecermos a geração de emprego, renda e o consumo”, afirma o presidente Marcelo de Souza e Silva. 

Ele também apontou que o ciclo de queda de juros deve ser lento e condicionado também ao cenário internacional. "Esperamos que a queda dos juros seja contínua e acompanhada de ações que garantam previsibilidade e segurança ao empreendedor. Com o tempo, há tendência de melhora no consumo, especialmente em produtos de maior valor e que dependem de parcelamento, como bens duráveis e semiduráveis", analisa. 

"Ritmo lento"

Já a Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) afirmou que o ritmo da queda da taxa segue aquém das necessidades impostas pelo atual estágio da economia brasileira.

"O quadro que se observa é de crescente deterioração do ambiente de negócios, especialmente para micro e pequenas empresas, que concentram maior vulnerabilidade financeira. Dados recentes evidenciam aumento consistente na mortalidade empresarial, ao mesmo tempo em que se intensificam os pedidos de recuperação judicial, inclusive entre grandes companhias do varejo e do comércio, com efeitos diretos sobre fornecedores, emprego e cadeias produtivas", aponta a nota da entidade. 

A Fecomércio-MG também destaca que a taxa de juros contribui para o elevado grau de endividamento das famílias, o que compromete parcela significativa da renda disponível, reduzindo a capacidade de consumo.

"Com o orçamento pressionado pelo custo do crédito, o consumidor posterga decisões de compra, o que retroalimenta o desaquecimento da economia, afetando diretamente setores intensivos em consumo, como comércio e serviços. Nesse contexto, a condução da política monetária precisa avançar com maior velocidade na redução dos juros, sob pena de prolongar um quadro de compressão da atividade econômica e elevação da mortalidade empresarial", diz. 

"Selic ainda está elevada"

Em nota, a  Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirmou que a redução ainda é considerada insuficiente para melhorar a competitividade da indústria e que o anúncio de hoje não atendeu às expectativas do setor produtivo, que esperava um corte mais expressivo após quase dois anos sem reduções.

"Temos indícios de arrefecimento da atividade econômica ao longo do último ano, de redução da mediana das expectativas de inflação e da desaceleração das medidas de núcleo inflacionário. Não podemos aceitar a continuidade de uma política monetária contracionista por período prolongado", afirma Flávio Roscoe, presidente da entidade.

A nota ainda destaca que a Federação compreende que o atual contexto internacional, marcado por conflitos no Oriente Médio e, consequentemente, a instabilidade nos preços dos combustíveis, gera efeitos secundários na inflação, mas alerta sobre os desafios adicionais à indústria, que já enfrenta um ambiente de crédito restrito e elevado custo de capital.

Redução era aguardada

O boletim Focus, divulgado na segunda-feira (16/3), já trazia a expectativa de que a taxa seria reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. O boletim é divulgado semanalmente pelo BC com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. 

O corte, entretanto, foi menor do que o previsto anteriormente. Na semana passada, o mercado estimava um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, mas o aumento das expectativas de inflação mudou este cenário. Entre as razões para esta revisão está o impacto econômico da guerra no Irã, com o aumento no preço do petróleo pressionando a inflação futura.

Na reunião de janeiro, quando a taxa de 15% foi mantida, o Copom também já havia sinalizado que começaria a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantivesse sob controle e não houvesse surpresas no cenário econômico. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro ficou em 0,70%.

Histórico e projeção para o futuro

Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho do ano passado, sendo mantida até março deste ano - quando caiu para 14,75%. 

Agora, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica, até o final de 2026, é de 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

O que é a Selic

É a taxa básica de juros da economia brasileira, definida por um comitê de especialistas do Banco Central. É o principal instrumento do BC para tentar conter o consumo e, consequentemente, a inflação do país.

Segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a inflação no Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação atingiu o acumulado de 4,26% em dezembro de 2025 e fechou o ano abaixo da meta do Banco Central (4,5%). Se a inflação se mantiver dentro do intervalo de tolerância do BC, a tendência é que a Selic seja ajustada para baixo nas próximas reuniões.

Crédito caro

O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central aumentou de 1,5% para 1,6% a projeção de crescimento para a economia em 2026.

O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,8% do PIB em 2026.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Fonte: O Tempo.

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