Compreenda por que os créditos estão ficando mais baratos e o que tem a ver a taxa Selic
A utilização de serviços financeiros é uma ferramenta essencial para qualquer pessoa na hora de investir, poupar ou consumir. A toma de créditos possibilita o acesso a produtos que tal vez não poderiam ser adquiridos por grande parte da população ou precisariam de um longo tempo de poupança até chegar ao valor necessário para isso. É só pensar na compra de uma casa, um carro, investir num negócio ou até mesmo fazer frente à outra dívida de vencimento anterior. Sempre analisando a capacidade de pagamento de cada pessoa, a toma de crédito ajuda a “suavizar” o consumo utilizando recursos no presente a ser pagos com renda futura.
A inclusão financeira exige que todos os cidadãos tenham acesso a serviços como poupança, investimento e crédito, entre outros. De acordo com dados do Banco Central do Brasil, os adultos que contratam operações de crédito atinge um porcentual de 44% do total. Na hora de contratar um empréstimo a pessoa está tomando uma decisão financeira e isso requer levar em conta muitos fatores. Dentre eles a taxa de juros do crédito é um dos dados mais relevantes, se não o mais importante, já que é aquele que permite concluir se quem contrata poderá razoavelmente cumprimentar com as parcelas ou não.
É importante entender que são muitos os elementos que definem o valor total de um empréstimo. Assim, o spread bancário é a diferença entre os juros que um banco paga para quem coloca dinheiro nele (ex. depositante, poupança, etc.) e os juros –sempre mais altos- que cobra para quem for tomar um crédito dele. Nessa margem são contabilizados, além da própria ganância do banco, os custos tributários, taxas de inadimplência, depósitos ao Banco Central, entre outros.
Nessa linha tem uma boa notícia: os empréstimos estão ficando mais baratos, e a causa? A taxa Selic desceu. O que é a taxa Selic e como funciona?
A taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é a taxa básica de juros da economia e significa, em termos simplificados, a taxa que o Banco Central paga por créditos tomados dos bancos. Isso faz com que, se a taxa é alta, a tendência dos bancos será emprestar para o governo mais do que para os particulares, e os créditos para esses ficam mais caros. No entanto, se a taxa Selic cair, existe mais disponibilidade de dinheiro e as companhias financeiras “precisam” emprestar para os consumidores a fim de obter maiores ganâncias.
Politicamente, a Selic é uma importante ferramenta de controle econômico e as consequências da modificação dela são muitas, por exemplo, o consumo e a inflaçã se a taxa de créditos é alta tem menos dinheiro circulando para o consumo e o valor dos bens e serviços tende a diminuir. Mas, ao contrário, também é utilizada para incentivar o consumo dos particulares quando desce o valor dela, como vem acontecendo faz algum tempo segundo o reflete o histórico das taxas de juros fixadas pelo Copom. Com uma taxa Selic baixa não só os juros para tomar um empréstimo ficam mais baratos, mas também o lucro que se obtém em investimentos ou poupança é menor, portanto é mais atraente solicitar um crédito com condições razoáveis para a aquisição de bens, viagens ou até investimentos.
Como fala a revista Exame, especializada em economia e negócios, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a Selic de 5,5% para 5% ao ano atingindo o nível mais baixo da história. Assim, de uma taxa estabelecida em 14% em 2016 chegou atualmente a 5% anual, fazendo com que os valores dos empréstimos para consumidores ficassem bem mais baratos: com juros de 74,48% para 52% anuais aproximadamente. Como aproveitar a queda do Selic?
Com as condições planteadas e as taxas de juros dos empréstimos ficando mais baratas, é um bom momento para consumidor aproveitar o acesso a serviços financeiros e se manter informado. O importante é identificar o objetivo da toma do empréstimo e as condições pessoais de cada um (autónomo, em relação de dependência do setor privado, em relação de dependência do setor público, etc.) para se orientar aos créditos mais convenientes segundo as caraterísticas. Por exemplo, se a pessoa está procurando investir em construção o fazer reformas na sua casa, é mais conveniente um empréstimo longo, que amortiza o gasto e facilita a negociação na compra de materiais ao ter o dinheiro na hora.
Mesmo que a média dos juros tenha descido, tem algumas linhas de créditos que tem se mantido elevadas ou, ainda mais, subiram em comparação com o ano anterior.
Veja quais são os créditos que se mantiveram elevados e quais têm taxas mais acessíveis: Cheque especial: para aqueles que já têm uma margem de crédito aprovada pelo banco com uma conta aberta nele. Segundo o relatório anual da PROCON de São Paulo, esta linha iniciou no começo do ano com uma taxa de 13,44% mensal ficando atualmente perto dos 12,57%. Esta linha de crédito, junto com a do rotativo do cartão de crédito, são umas das mais fáceis e rápidas de obter, mas ao mesmo tempo tem que se pagar uma taxa bem mais alta do que a média dos outros tipos de empréstimos. Cartão de crédito rotativo: é o crédito aplicado caso o titular do cartão de crédito não possa pagar o integral da dívida da fatura. Ele começa a rolar desde que o cliente deixa de pagar o valor da dívida do cartão. Esta é uma das taxas que, contrário ao geral, tem se elevado neste ano, passando de 11,66% ao mês em outubro de 2018 para 12,64% no mesmo mês deste ano. Os créditos para financiamento de veículos também tem descido, com uma taxa de 1,70% ao mês em 2018 para 1,50%. Já os créditos consignados acostumam ser a melhor opção, geralmente com os juros mais baixos do mercado. Um dos motivos é a menor taxa de inadimplência já que a parcela se desconta automaticamente do salário do cliente. Também eles têm descido em comparação com 2018. O consignado do setor privado passou de 2,75% ao mês a 2,49% aproximadamente. O consignado do setor público de 1,70% para 1,42% e o crédito consignado do INSS de 1,88% mensal para 1,72%.
Esses são só alguns dos tipos de créditos disponíveis atualmente no mercado e é importante que o cliente, como já foi falado, se informe e identifique qual é a modalidade mais conveniente segundo a sua própria realidade e o motivo da toma de empréstimos, aproveitando assim esta queda dos juros e melhorar a situação financeira pessoal ou concretizar projetos para os quais não contava com o capital suficiente.