GERAL

Combate ao desperdício de alimentos é desafio do Brasil e do mundo nos próximos anos

Dados da Organização das Nações Unidas indicam que as perdas atingem cerca de 30% do total produzido no planeta

Publicado em 29/08/2018 às 16:28Atualizado em 17/12/2022 às 13:00
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Foto/Rovena Rosa/Agência Brasil 

Em 2013, quase 10% dos alimentos disponíveis no Brasil foram perdidos, segundo estimativas da FAO

A redução dos índices de perda e desperdício de alimentos ainda é uma questão essencial em todo o mundo. Estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são perdidos no planeta a cada ano, cerca de 30% do total produzido.

No Brasil, o assunto também é um problema. Dos 268,1 milhões de toneladas de alimentos disponíveis no País em 2013, 26,3 milhões, ou quase 10%, foram perdidos, segundo levantamento da FAO. Diante deste quadro, tornam-se imprescindíveis não apenas medidas do poder público, mas também a conscientização da própria população sobre a necessidade de novos hábitos de consumo.

Estratégia

A mais importante iniciativa relativa ao tema no País foi divulgada em abril deste ano. Trata-se da Estratégia Intersetorial para a Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos no Brasil. Elaborada pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) – órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) –, a medida tem como objetivo principal coordenar ações voltadas à prevenção e redução das perdas e desperdício de alimentos.

Na visão da chef Teresa Corção, conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o Brasil deve romper com uma cultura do desperdício, que, segundo ela, vem desde o período colonial para diminuir os níveis de perda de alimentos. Ela destaca que esse desperdício pode ocorrer em diversos momentos e que, por isso, é papel de todos combatê-lo.

Perda e Desperdício

A FAO distingue as definições sobre perda e desperdício de alimentos. O primeiro termo se refere à redução da disponibilidade de alimentos para consumo humano ao longo da cadeia de abastecimento alimentar, em especial nas fases de produção, pós-colheita e processamento. Segundo o órgão, a perda prevalece nos países em desenvolvimento. Já o desperdício ocorre no final da cadeia alimentar (varejo e consumo), e estaria mais associado às nações desenvolvidas.

Conscientização

Neste ano, o Brasil realizará, pela primeira vez, a Semana Nacional de Conscientização da Perda e Desperdício de Alimentos. A data foi instituída em portaria de maio do Ministério do Meio Ambiente e deve ser realizada anualmente, sempre na quarta semana de outubro, com a participação de todos os setores da sociedade.

Dicas

Todos podem fazer sua parte para ajudar a atingir a meta das Nações Unidas de reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial até 2030. Confira abaixo algumas sugestões de como contribuir:

Planejar a compra – Muitas pessoas adquirem uma grande quantidade de determinados produtos sem precisar deles. Além disso, é comum que, ao longo do mês, esqueçam de utilizar alguns alimentos. Por isso, vale sempre a dica: comprar somente o que for necessário.

Uso das sobras – Buscar informações sobre como reaproveitar os alimentos que sobram. Um exemplo são as frutas, que podem ser transformadas em compotas. Além disso, verificar quais alimentos podem ser congelados e reaquecidos posteriormente.

Armazenar corretamente os alimentos – Seguir as instruções para conservar os alimentos pelo maior tempo possível, observando sempre a data de validade.

Calcular as porções – Antes de preparar a refeição, contar o número de pessoas que vão comer para evitar o desperdício.

Cuidados com o manuseio – É comum que as pessoas escolham alimentos, especialmente legumes e frutas, apalpando-os. Muitas vezes, a falta de cuidado faz com que o alimento seja devolvido para as gôndolas “machucado”, e a tendência é de não ser mais consumido. Por isso, é importante manejá-los com cautela.

Fonte: Governo do Brasil, com informações do MDS, Diário Oficial da União e FAO 

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