A substituição de empregos pela inteligência artificial (IA) pode gerar consequências que vão além do desemprego imediato, afetando a renda, o patrimônio e até aspectos da vida pessoal dos trabalhadores ao longo dos anos, segundo relatório recente de economistas do banco Goldman Sachs.
O estudo indica que profissionais impactados pela automação tendem a enfrentar maior dificuldade para se recolocar no mercado no curto prazo, além de perdas salariais mais significativas. Em média, esses trabalhadores levam mais tempo para conseguir um novo emprego e registram queda superior a 3% na renda ajustada pela inflação.
Os efeitos também se prolongam no longo prazo. Uma década após a perda do emprego, os rendimentos permanecem cerca de 10 pontos percentuais abaixo dos de trabalhadores que não foram deslocados por tecnologia. Além disso, há reflexos na acumulação de riqueza, com atrasos na compra da casa própria e na formação de família.
A análise foi baseada em dados históricos de profissionais cujas ocupações foram substituídas por inovações tecnológicas desde a década de 1980, acompanhando sua trajetória no mercado de trabalho ao longo do tempo.
Os impactos, no entanto, variam conforme o perfil. Trabalhadores mais jovens, com ensino superior e residentes em áreas urbanas tendem a sofrer menos perdas. Aqueles que buscaram requalificação profissional também apresentaram melhores resultados.
O cenário se agrava em períodos de recessão econômica. Nesses casos, o tempo de desemprego tende a aumentar e as chances de permanecer fora do mercado se tornam maiores.
Apesar dos riscos, o estudo aponta a requalificação como um caminho para reduzir os efeitos negativos. Profissionais que desenvolvem novas habilidades conseguem migrar para funções mais complexas, com menor exposição à automação e maior integração com tecnologias digitais.