Idosos têm que se adaptar cada vez mais ao mundo tecnológico, por meio da requalificação digital, para ter acesso aos novos ambientes de trabalho
Foto/Reuters/Suzanne
Tendência é população idosa crescer e mão de obra jovem vir a faltar
A maioria das empresas no Brasil ainda resiste a contratar pessoas com mais de 50 anos, mas essa realidade terá de mudar porque a tendência é de aumento gradativo da população idosa e de faltarem jovens para o mercado de trabalho. A afirmação foi feita pelo presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), José Pastore, durante encontro que discutiu a atual e a futura situação do idoso no mercado.
Dados apresentados no encontro mostram que, em 2015, havia 16,1% de pessoas com mais de 60 anos inseridas no mercado de trabalho, percentual que deve subir para 58,4% em 2060, ou seja, dentro de quatro décadas, mais da metade da população será idosa.
Segundo o economista, por enquanto, a sociedade não se deu conta da desproporção entre o envelhecimento dos profissionais e a oferta da mão de obra juvenil. Porém, à medida que a economia for retomando o crescimento, isso será mais facilmente constatado, já que haverá dificuldade em preencher vagas.
Pastore manifestou preocupação com o fato de os parlamentares federais estarem postergando a reforma da Previdência. “As pessoas estão envelhecendo muito depressa no Brasil e, daqui a alguns anos, vamos ter mais idosos do que jovens, e a Previdência não vai ter condições de sustentar as pessoas idosas, que vão durar mais tempo. Temos de acompanhar o que já ocorre em sociedades avançadas, fazendo com que o idoso trabalhe por mais tempo”, frisa.
De acordo com Pastore, algumas empresas já desenvolvem atividades para absorver empregados nessa faixa etária, não pelo sistema convencional, mas por meio de empreendedores, autônomos ou à distância, modalidade em que os trabalhadores prestam serviços de casa.
Esse tipo de trabalhadores aumenta no mundo todo, e aqui não deve ser diferente. Ele alertou, no entanto, que, para se manterem ativos no mercado, os mais velhos terão que se requalificar, principalmente, no que se refere à tecnologia. Pastore lembrou, inclusive, que muitos fornecedores de ferramentas digitais vêm simplificando os aplicativos, o que ajudará muito nessa inserção.