INVESTIGAÇÃO

PF investiga grupo suspeito de explorar brasileiras no exterior e Justiça bloqueia até R$ 10 milhões

Publicado em 07/11/2026 às 09:16
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 (Foto/Divulgação PF)

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, na quarta-feira (4), a Operação Dirty Dancing para desarticular uma organização criminosa suspeita de recrutar mulheres brasileiras para exploração sexual em Israel e outros países. Uma mulher apontada como líder do esquema foi presa, e a Justiça Federal autorizou o bloqueio de bens e valores dos investigados em até R$ 10 milhões.

A operação cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (PA). Outro mandado de busca foi executado em Goiânia (GO).

Além das medidas de prisão e busca, a Justiça determinou o sequestro e o bloqueio de patrimônio dos investigados, além da suspensão das atividades de duas empresas ligadas à principal suspeita. Outros dois investigados tiveram os passaportes apreendidos, passaram a ser monitorados eletronicamente e estão proibidos de deixar o país.

Como funcionava o esquema

Segundo a Polícia Federal, a organização utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para recrutar mulheres interessadas em viajar para o exterior. O grupo providenciava o deslocamento e a hospedagem nos países de destino, enquanto integrantes que atuavam no Brasil divulgavam anúncios em sites especializados e agendavam clientes.

De acordo com o delegado da PF André Rodrigues, as mulheres geralmente tinham entre 20 e 30 anos e viajavam por vontade própria, mas encontravam condições de trabalho severas ao chegar ao destino.

Elas teriam de cumprir horários rígidos, atender a uma quantidade mínima de clientes por dia e repassar aproximadamente 50% dos lucros à organização no Brasil.

O dinheiro obtido com a exploração sexual era arrecadado em espécie no exterior e enviado ao território brasileiro por meio de pessoas que moravam em outros países. As transferências eram realizadas por um esquema clandestino de câmbio, sem autorização para esse tipo de operação.

Investigação começou após informações de Israel

As investigações brasileiras começaram em fevereiro de 2025, a partir de informações compartilhadas pela Polícia de Israel. A apuração é um desdobramento de uma investigação conduzida pelas autoridades israelenses sobre a atuação do mesmo grupo criminoso.

Para a PF, os elementos reunidos indicam que a organização mantinha uma estrutura contínua de recrutamento, deslocamento, divulgação de anúncios e movimentação financeira relacionada à exploração sexual de mulheres brasileiras no exterior.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão das atividades do grupo.

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