CRISE FINANCEIRA

Escândalo bancário no Paraguai provoca renúncia no BC e ameaça mandato do presidente

Intervenção no Ueno Bank provocou renúncia do chefe do Banco Central, afetou recursos públicos e levou parlamentares a formalizar pedido de afastamento de Santiago Peña

Publicado em 05/11/2026 às 10:07
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(Foto/José Cruz/Agência Brasil)

Uma crise envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do Paraguai, provocou o bloqueio de contas de aproximadamente 3 milhões de clientes, levou à renúncia do presidente do Banco Central e aumentou a pressão política sobre o presidente do país, Santiago Peña.

A intervenção foi determinada pelo Banco Central paraguaio na terça-feira (3), após a identificação de problemas na solvência da instituição. Segundo a autoridade monetária, o índice apresentado pelo banco correspondia a menos da metade do mínimo exigido para o funcionamento de uma instituição financeira.

A medida atingiu quase metade da população paraguaia, estimada em 6,1 milhões de habitantes. Além das contas bloqueadas, os ativos e passivos da instituição foram congelados. O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos, incluindo recursos destinados a aposentados.

Relação com presidente aumenta pressão política

A crise ganhou dimensão política porque Santiago Peña foi sócio do grupo proprietário do Ueno Bank até março de 2025. Após a intervenção, o presidente solicitou a renúncia de Carlos Carvallo, então presidente do Banco Central do Paraguai.

Além disso, 35 deputados da oposição apresentaram oficialmente um pedido de impeachment contra Peña e seu vice-presidente. O documento aponta suspeitas de conflito de interesses, manipulação regulatória, possível desvio de recursos de aposentadorias e suposto favorecimento à instituição financeira.

Os parlamentares também questionam a atuação do Banco Central na fiscalização do Ueno e apontam possíveis irregularidades relacionadas aos limites de crédito concedidos ao grupo responsável pelo banco.

Investigação e impacto no sistema financeiro

O Ministério Público paraguaio solicitou a abertura de uma investigação criminal sobre o caso. Oito pessoas ligadas ao banco tiveram a prisão determinada, enquanto outras 27 foram formalmente acusadas por suposto envolvimento em irregularidades financeiras.

A crise também provocou preocupação entre os clientes. No dia seguinte à intervenção, foram registradas falhas nos aplicativos e filas para saques. A situação levou parte dos correntistas a transferir recursos para outras instituições financeiras.

Em resposta, Peña afirmou que o caso é isolado e não representa uma crise generalizada do sistema financeiro paraguaio. A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) também declarou que as instituições do país continuavam operando normalmente, apesar do aumento na procura por transferências de contas.

A Superintendência de Bancos deverá nomear auditores para verificar a situação patrimonial do Ueno Bank.

Reflexos econômicos

O episódio também gera preocupação sobre a confiança de investidores estrangeiros no Paraguai, que vem se consolidando como destino de investimentos na América do Sul, inclusive de empresas brasileiras.

Para 2026, o Banco Mundial projeta crescimento de 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) paraguaio. A crise bancária, no entanto, coloca em evidência os desafios relacionados à fiscalização do setor financeiro e à estabilidade institucional do país.

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