Corpo da universitária e atleta Andréa Capucci foi velado no salão nobre da OAB
Às vésperas de completar três anos da morte da estudante de Direito Andréa Capucci da Silveira, a família da atleta faz maratona no Fórum Melo Viana em busca de informações sobre a ação que busca indenização da Prefeitura de Uberaba.
Andréa morreu no dia 4 de abril de 2006, com suspeita de dengue hemorrágica, embora o laudo do médico-legista Romeu Norte Pereira tenha apontado como causa da morte edema agudo de pulmão por causa indeterminada, que poderia vir a ser por complicações da dengue.
A família da jogadora de basquete recorreu à Justiça para requerer indenização de 300 salários mínimos, como reparação financeira, alegando que Andréa não recebeu o tratamento médico adequado. Eles culpam o município pela falta de leitos, imperícia médica e ausência de esforços do município para controlar a doença, que gerou epidemia, em 2005. O médico também avaliou que os exames clínicos indicavam que a paciente estava com dengue, como também apresentava quadro de glicemia alta.
A mãe da atleta, Iolanda Borges da Silveira, cobra um desfecho para o caso de Andréa e afirma estar sem esperanças de ver fazer justiça e os culpados punidos. “Eu pensava que seria fácil fazer justiça. Mas já se vão três anos e a dengue continua fazendo vítimas na cidade”, afirma Iolanda, referindo-se ao caso da jovem de 19 anos que está internada no Hospital de Clínicas da UFTM com suspeita de dengue hemorrágica.
Iolanda e o marido, Joel Capucci da Silveira, ressaltam que o Ministério Público aguarda a realização de diligências para sentenciar na ação de indenização. Entretanto, lembram que dinheiro nenhum poderá trazer a filha de volta, mas acreditam que a precariedade no atendimento foi a sentença de morte de Andréa.
Caso. Andréa morreu aos 26 anos no dia 4 de abril. Cinco dias antes, ela sentiu-se mal e procurou os serviços de saúde pública do município, pela primeira vez, junto à UBS do bairro Tutunas. No local foi atendida pela médica Renata Dutra Rezende, do PSF, que a encaminhou à antiga Central de Atendimento Multiprofissional do Município (Camm), com um relatório através do qual advertia sobre a gravidade do caso. No local ela foi examinada, medicada e liberada para casa.
Em agosto, Renata pediu exoneração do cargo e fez várias críticas às condições de trabalho na rede, inclusive que os médicos que atenderam a paciente não entenderam sua advertência como um auxílio para a assistência à paciente.