Mesmo com estrutura abaixo da ideal, PF de Minas deflagrou 362 operações e tirou R$ 1,2 bilhão em dinheiro e bens das mãos do crime organizado

Apresentação de resultados foi feita na sede da PF de Minas Gerais (Foto/José Vitor Camilo)
Com população de 20,5 milhões de pessoas, grande extensão territorial, rota visada por facções criminosas de narcotráfico por ter a maior malha rodoviária do país e terreno fértil para crimes ambientais, como mineração ilegal, Minas Gerais tem menos agentes da Polícia Federal do que cidades. São 750 policiais, distribuídos em oito delegacias e uma superintendência regional, para investigar crimes que afetam bens, serviços e interesses da União nos 853 municípios do estado. Apesar disso, em 2025, com um orçamento de R$45 milhões, o órgão deflagrou 362 operações e conseguiu recuperar R$1,2 bilhão, ao descapitalizar o crime organizado. O volume é 26 vezes maior do que o gasto com a PF pela União.
No Brasil, são 12 mil policiais federais e o volume de descapitalização do crime alcançado por eles no ano passado foi de R$9,5 bilhões. O estado de São Paulo, que tem uma população de 44,4 milhões de pessoas, ou seja, duas vezes maior do que a de Minas, tem um efetivo quatro vezes superior ao mineiro. Ainda a título de comparação, toda a região Sul do país - somando os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná - tem uma extensão territorial de 576,7 mil quilômetros quadrados. Só Minas Gerais tem uma área de 586,5 mil quilômetros. Porém, o Sul tem 30 delegacias (o triplo das nove unidades mineiras), sendo 14 no Rio Grande do Sul, nove no Paraná e sete em Santa Catarina.
Segundo o superintendente da PF em Minas Gerais, Richard Murad Macedo, existe uma janela de oportunidade para aumento do efetivo no estado. Já existe uma turma de 1 mil novos agentes em formação para entrar em atuação até maio e outros 1 mil até o final do ano em todo país. Porém, ainda não há confirmação de quantos deles serão lotados no estado. A reportagem procurou o Ministério da Justiça e Segurança Pública para saber qual a estrutura prevista para o estado e, até a publicação desta matéria, o órgão não havia se posicionado.
Ainda segundo Macedo, para 2026, a PF terá um orçamento 20% maior do que o de 2025 e há previsão de alguns investimentos relevantes. “Passou de R$ 45 para R$ 55 milhões este ano. Isso graças à sensibilidade da direção geral, em Brasília. Ou seja, a gente está mostrando eficiência, com os nossos resultados, e a direção faz o investimento”, afirmou. Ele detalhou ainda que haverá investimento de R$ 140 milhões em obras na sede da corporação, e de outros recursos extraordinários (voltados para a implantação de novas delegacias em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e Poços de Caldas, no Sul de Minas, além de formação de uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado com foco no meio ambiente.
Balanço
A PF de Minas apresentou um aumento de 65% no número de operações deflagradas em 2025, com 362 ações contra 220 no ano anterior. Deste total, 242 foram no interior do Estado e 120 em Belo Horizonte. “Ficamos com o segundo lugar no Brasil em número de operações. Minas nunca chegou a esse patamar antes, pois temos outras unidades da federação que têm fronteiras muito maiores e, consequentemente, registram mais apreensões e operações contra o tráfico e contrabando. São Paulo ficou em primeiro no número absoluto, mas, como eles têm um efetivo quatro vezes maior, proporcionalmente falando, Minas tem um número maior de operações hoje no país”, acrescentou Macedo.
Durante a apresentação do balanço, o superintendente da PF em Minas também destacou que, para 2026, a corporação pretende incrementar o combate à corrupção, com a implantação de uma base de dados fruto de uma parceria com a Controladoria Geral da União (CGU). “Vamos abrir os sistemas da PF e da CGU para prospectar casos e fomentar novas investigações. Muitas vezes, casos de corrupção são denunciados anos após o crime acontecer e esperamos que, assim, consigamos trazer mais agilidade e até impedir os rombos. Essa base de dados já tem uma portaria de criação aqui em Minas e, agora, estamos na fase de instalação dela”, garantiu.
Fonte: O Tempo