Quadrilhas improvisadas e contratadas pela internet estão substituindo grupos especializados em roubos de obras de arte, segundo a Europol. A mudança tem sido acompanhada por ações mais violentas e pelo aumento do interesse por ouro, joias e artefatos de alto valor.
A agência de segurança da União Europeia informou nesta segunda-feira (24) que os criminosos passaram a atuar em um modelo chamado de “crime como serviço”. Em vez de organizações estruturadas, os roubos são realizados por grupos descentralizados e oportunistas recrutados pelas redes sociais.
A Europol aponta que, nos últimos dois anos, os criminosos voltaram a atenção principalmente para metais preciosos, joias e objetos culturais que podem gerar grandes lucros.
Um dos casos citados no relatório é o roubo ocorrido no Museu do Louvre, em Paris, em outubro de 2025. Na ocasião, os criminosos ameaçaram funcionários e visitantes e levaram joias avaliadas em cerca de 88 milhões de euros, incluindo a tiara da imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III.
A agência afirma que o aumento do interesse pelo ouro está relacionado também à valorização do metal. Nos últimos dois anos, o preço do ouro subiu 85%, impulsionado pela procura de investidores e bancos centrais.
Ouro e joias viram principais alvos
Segundo a Europol, os criminosos passaram a priorizar itens como pepitas, moedas e joias de ouro. A facilidade para ocultar e revender esses materiais dificulta o trabalho das autoridades.
O relatório destaca que metais preciosos podem ser derretidos, o que elimina características que poderiam ajudar na identificação da origem. Já as pedras preciosas podem ser retiradas das joias e comercializadas separadamente.
A agência também identificou aumento nos roubos de porcelanas chinesas antigas, incluindo vasos da dinastia Ming, devido à alta procura por esse tipo de objeto no mercado ilegal.
Roubos ficaram mais violentos
A mudança no perfil das quadrilhas também alterou a forma como os crimes são executados. Segundo a Europol, os criminosos têm invadido instalações e vitrines utilizando ferramentas e, em alguns casos, explosivos.
Os grupos tradicionais eram mais especializados e costumavam depender de planejamento, furtividade e uma estrutura centralizada. Agora, segundo a agência, criminosos podem ser recrutados pela internet especificamente para executar determinada ação.
Em janeiro de 2025, por exemplo, ladrões utilizaram explosivos para roubar um capacete daciano de ouro de 2.500 anos e três pulseiras antigas de ouro de um museu na Holanda.
Os objetos foram posteriormente recuperados e devolvidos à Romênia, mas uma das pulseiras continua desaparecida.
A Europol alerta que a transformação do crime organizado representa um desafio adicional para a proteção do patrimônio histórico e cultural europeu, especialmente diante da facilidade de recrutamento proporcionada pelas redes sociais.