CRIME SOB ENCOMENDA

Museus viram alvo de “criminosos sob encomenda” recrutados pela internet

Publicado em 24/08/2026 às 11:22
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Quadrilhas improvisadas e contratadas pela internet estão substituindo grupos especializados em roubos de obras de arte, segundo a Europol. A mudança tem sido acompanhada por ações mais violentas e pelo aumento do interesse por ouro, joias e artefatos de alto valor.

A agência de segurança da União Europeia informou nesta segunda-feira (24) que os criminosos passaram a atuar em um modelo chamado de “crime como serviço”. Em vez de organizações estruturadas, os roubos são realizados por grupos descentralizados e oportunistas recrutados pelas redes sociais.

A Europol aponta que, nos últimos dois anos, os criminosos voltaram a atenção principalmente para metais preciosos, joias e objetos culturais que podem gerar grandes lucros.

Um dos casos citados no relatório é o roubo ocorrido no Museu do Louvre, em Paris, em outubro de 2025. Na ocasião, os criminosos ameaçaram funcionários e visitantes e levaram joias avaliadas em cerca de 88 milhões de euros, incluindo a tiara da imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III.

A agência afirma que o aumento do interesse pelo ouro está relacionado também à valorização do metal. Nos últimos dois anos, o preço do ouro subiu 85%, impulsionado pela procura de investidores e bancos centrais.

Ouro e joias viram principais alvos

Segundo a Europol, os criminosos passaram a priorizar itens como pepitas, moedas e joias de ouro. A facilidade para ocultar e revender esses materiais dificulta o trabalho das autoridades.

O relatório destaca que metais preciosos podem ser derretidos, o que elimina características que poderiam ajudar na identificação da origem. Já as pedras preciosas podem ser retiradas das joias e comercializadas separadamente.

A agência também identificou aumento nos roubos de porcelanas chinesas antigas, incluindo vasos da dinastia Ming, devido à alta procura por esse tipo de objeto no mercado ilegal.

Roubos ficaram mais violentos

A mudança no perfil das quadrilhas também alterou a forma como os crimes são executados. Segundo a Europol, os criminosos têm invadido instalações e vitrines utilizando ferramentas e, em alguns casos, explosivos.

Os grupos tradicionais eram mais especializados e costumavam depender de planejamento, furtividade e uma estrutura centralizada. Agora, segundo a agência, criminosos podem ser recrutados pela internet especificamente para executar determinada ação.

Em janeiro de 2025, por exemplo, ladrões utilizaram explosivos para roubar um capacete daciano de ouro de 2.500 anos e três pulseiras antigas de ouro de um museu na Holanda.

Os objetos foram posteriormente recuperados e devolvidos à Romênia, mas uma das pulseiras continua desaparecida.

A Europol alerta que a transformação do crime organizado representa um desafio adicional para a proteção do patrimônio histórico e cultural europeu, especialmente diante da facilidade de recrutamento proporcionada pelas redes sociais.

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