VENDA ILEGAL

PF e Anvisa fazem operação contra produção e venda ilegal de canetas emagrecedoras

Ações concentram-se, especialmente, em produtos à base de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, amplamente usados em tratamentos para obesidade

Renato Alves/O Tempo
Publicado em 07/04/2026 às 09:44
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A Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fazem nesta terça-feira (7/4) uma operação contra a entrada irregular no país, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal de canetas emagrecedoras.
Agentes foram às ruas para cumprir 45 mandados de busca e apreensão, além de 24 ações de fiscalização, nos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina.

A chamada Operação Heavy Pen tem como foco o enfrentamento de grupos envolvidos na cadeia ilícita desses produtos, desde a importação fraudulenta até a distribuição e venda irregular de substâncias de uso injetável.

As ações concentram-se, especialmente, em produtos à base de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, amplamente usados em tratamentos para obesidade, além de substâncias correlatas, como a retatrutida, ainda sem autorização para comercialização no Brasil.

A PF e a Anvisa também fiscalizam estabelecimentos como laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas que atuam à margem da regulação sanitária, com produção, fracionamento ou comercialização de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida.

“Os elementos colhidos subsidiarão investigações em curso. As condutas investigadas podem caracterizar crimes relacionados à falsificação e comercialização irregular de medicamentos, além de contrabando”, dia a PF em nota.

Novas medidas contra irregularidades

Na segunda-feira (6/4), a Anvisa anunciou novas medidas para garantir a segurança de pacientes que usam medicamentos injetáveis de GLP-1 (Peptídeo Semelhante ao Glucagon-1), as canetas emagrecedoras, com princípios ativos de semaglutida, tirzepatida e liraglutida.

Entre as medidas previstas estão a revisão das regras atuais do setor, a suspensão das autorizações de funcionamento para farmácias com situação de risco e novas fiscalizações em empresas importadoras de insumos para manipulação.

A agência anunciou ainda que vai intensificar as ações junto às Vigilâncias Sanitárias dos estados e municípios e realizar acordos de cooperação com agências reguladoras de outros países. Haverá também a criação de um grupo de trabalho com entidades médicas e de saúde.

“A questão do controle de qualidade permeia toda a nossa fala, acho que esse é o foco mais importante que é trazer produtos seguros e com garantia de qualidade e eficácia para a população brasileira”, afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, em entrevista coletiva.

Levantamento da Anvisa aponta que a importação de insumos farmacêuticos para a manipulação das canetas tem sido incompatível com o mercado nacional. Apenas no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 kg de insumos, que seriam suficientes para a preparação de aproximadamente 20 milhões de doses. 

Neste ano, a Anvisa fez 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras, que levaram a oito interdições por problemas técnicos e falta de controle de qualidade. 

Entre os riscos mapeados estão a produção sem previsão de demanda por manipulação, problemas de esterilização, deficiências no controle de qualidade e a utilização de insumos farmacêuticos sem identificação de origem e composição.

Desde janeiro deste ano, a Anvisa publicou 10 ações de proibição de importação, comércio e uso de produtos irregulares que contêm medicamentos agonistas de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida.

Para a manipulação de produtos injetáveis, como as canetas, a garantia de padrões rígidos de esterilidade e pureza do insumo é fundamental para garantir a segurança desses produtos para as pessoas. 

Pedidos de registro em análise

Há oito processos em análise para novos medicamentos com o mesmo princípio ativo do Ozempic, a semaglutida. Desses, sete são de origem sintética e um de origem biológica. Além disso, outros nove produtos aguardam o início da análise pelas áreas técnicas da Anvisa.

A patente da semaglutida no Brasil expirou em 20 de março, mas, para que qualquer medicamento possa ser oferecido no mercado nacional, é obrigatória a comprovação de eficácia, segurança e qualidade, que devem ser atestadas pelo registro na Anvisa.

Fonte: O Tempo

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