Retração foi observada em comparação ao crescimento de 6,4% registrado no segundo trimestre do ano
Um dos setores com queda foi o da indústria extrativa mineral, que retraiu 7,3% (Foto/Vale/Divulgação)
O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais apresentou uma queda de 2,8% no terceiro trimestre de 2022, em comparação ao segundo trimestre, quando foi apurada alta relevante de 6,4%. Os resultados econômicos do Estado no período entre julho e setembro foram apresentados pela Fundação João Pinheiro (FJP) na quarta-feira (14). Em movimento contrário, no Brasil, houve crescimento de 0,4%.
A retração no índice de volume do PIB em Minas em relação aos três meses anteriores, conforme a FJP, se deve à variação negativa no período na agropecuária (-5,7%), indústria extrativa mineral (-7,3%), indústria da transformação (-1,2%), segmento de energia e saneamento (-1,3%) e dos serviços de transporte (-0,5%). De acordo com o técnico da FJP responsável pelo estudo, Thiago Almeida, a queda no agronegócio, por exemplo, ocorre em meio a um acumulado de resultados positivos ao longo do ano sob interferência da expansão de culturas como café, soja, cana e milho.
“Essa queda da agropecuária no terceiro trimestre está atrelada à dissipação do efeito positivo da safra de soja que em Minas teve resultado positivo e em âmbito nacional teve resultado negativo, já que a soja é colhida no primeiro semestre. Então, quando se encerra o primeiro semestre, tem essa dissipação do efeito positivo. Além disso, houve revisão do aumento na quantidade produzida na safra do café que é, em boa medida, colhido no terceiro trimestre”, justificou Almeida.
Apesar do resultado negativo na comparação com o segundo trimestre, os resultados do PIB no terceiro trimestre, quando comparados os últimos 12 meses - setembro de 2021 a setembro de 2022 -, há um crescimento no volume do PIB de 3,5%, segundo a Fundação. Ao todo, no terceiro trimestre, o PIB em Minas foi estimado em R$ 240,2 bilhões, representando 9,4% do PIB nacional. No ano passado, no mesmo período, o valor apontado foi de R$ 212 bilhões, indicando um crescimento de 13%.
O volume de Valor Adicionado Bruto (VAB) nos serviços privados exceto comércio e transportes expandiu-se 2,3% em Minas e 1,5% no Brasil, na comparação com o trimestre anterior. O melhor desempenho em nível estadual desse agrupamento pode estar associado à menor taxa de desocupação na comparação com a média nacional, segundo a Fundação João Pinheiro.
De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, no terceiro trimestre de 2022 em relação ao trimestre anterior, houve expansão no volume dos serviços prestados às famílias e dos serviços de informação e comunicação, podendo indicar uma demanda reprimida em função da Covid-19.
“Na análise dos resultados dessazonalizados, neste ano, o crescimento econômico de Minas praticamente se concentrou no segundo trimestre do ano (6,4%), em razão do desempenho favorável da agropecuária e da extrativa mineral ao passo que a atividade econômica no estado cresceu 0,5% no primeiro trimestre do ano e, agora no terceiro trimestre, apresentou retração de 2,8%. No Brasil, a atividade econômica foi desacelerando ao longo do ano, com expansão de 1,3% no primeiro trimestre, 1,0% no segundo e 0,4% no terceiro trimestre de 2022”, destacou a FJP.
Fonte: OTEMPO