ENTENDA

Por que os juros não caem? Selic a 13,75% aperta crédito às vésperas do 13º salário

Especialista alerta que juros elevados por mais tempo podem reduzir investimentos, contratações e consumo

Joanna Prata
Publicado em 05/11/2026 às 11:30
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A manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (4), após uma sequência de reduções, mantém o mercado financeiro em alerta e prolonga a preocupação com o custo do crédito no Brasil. Para os próximos meses, a expectativa é de retomada dos cortes, mas o ritmo dependerá dos sinais do governo federal sobre o controle dos gastos públicos e a responsabilidade fiscal. 

A avaliação é do especialista em investimentos Rafael Farnese, do Santander Invest. Segundo ele, embora os juros elevados sejam importantes para controlar a inflação, a permanência da Selic em patamar alto por muito tempo pode comprometer a atividade econômica, dificultando o acesso das empresas a financiamentos e reduzindo o consumo. 

“A taxa de juros alta é exatamente para desestimular o comércio, desestimular as vendas e a produção industrial. Então, se ela ficar bastante tempo alta, corre-se o risco de esse desestímulo acabar indo na direção errada”, alerta. 

O cenário preocupa especialmente pequenas e médias empresas, que enfrentam dificuldades para conseguir crédito e precisam organizar as contas para o pagamento do 13º salário. Farnese explica que os bancos continuam oferecendo linhas de financiamento, mas estão mais cautelosos diante do aumento da inadimplência. Para ele, a manutenção dos juros elevados também pode refletir no mercado de trabalho, com menos investimentos, contratações e circulação de dinheiro. 

A velocidade da redução da Selic, por sua vez, está ligada à confiança do mercado na condução da política econômica. O especialista destaca que os próximos anúncios do governo sobre o planejamento fiscal de 2027 serão importantes para indicar como pretende conciliar os programas sociais com o equilíbrio das contas públicas. “Quanto mais o governo federal der sinais para o mercado financeiro de que consegue estimular a economia, mas, ao mesmo tempo, com responsabilidade fiscal, mais rápido o Banco Central tende a descer a taxa de juros”, afirma. 

Para quem pretende investir, a recomendação é não concentrar todos os recursos em uma única aplicação nem tentar adivinhar os movimentos do mercado. Farnese defende a diversificação da carteira, com investimentos atrelados à Selic, à inflação, títulos prefixados e até exposição ao dólar, sempre considerando os objetivos e o prazo de cada investidor. A organização financeira, segundo ele, deve separar recursos para o curto, médio e longo prazo.

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