RELIGIÃO

Visita do papa à América do Sul deve fortalecer fiéis em meio à queda do catolicismo

Publicado em 07/11/2026 às 09:09
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(Foto: TIZIANA FABI / AFP)

A viagem de 12 dias do papa Leão XIV pela América do Sul deve reforçar a presença da Igreja Católica em uma região onde o número de pessoas que se identificam com a religião está em queda. O pontífice chegou ao Uruguai nesta sexta-feira (6) e também visitará Argentina e Peru. Para especialistas ouvidos por O TEMPO, o roteiro tem importância tanto pelo cenário religioso latino-americano quanto pela ligação pessoal do líder do Vaticano com o continente.

Embora a América Latina concentre 47,8% dos católicos do mundo, a influência da Igreja na região vem diminuindo. Uma pesquisa do Pew Research Center, publicada em 2024, aponta que 84% dos adultos latino-americanos foram criados em famílias católicas, mas 69% ainda se identificam com a religião.

Ao mesmo tempo, as religiões protestantes têm ampliado sua presença. Segundo o levantamento, pelo menos um terço das pessoas que atualmente se declaram protestantes foi criado em famílias católicas, e mais da metade recebeu batismo na Igreja Católica.

O historiador Rodrigo Coppe, professor do programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC Minas, considera simbólico o início da viagem pelo Uruguai, país que descreve como o mais laico da região. Ele também destaca que Leão XIV tem uma trajetória ligada à América Latina: apesar de ter nascido em Chicago, nos Estados Unidos, o papa passou mais de 20 anos no Peru como missionário e possui cidadania peruana.

O vínculo afetivo com o país também foi ressaltado pelo professor emérito de Teologia da PUC Minas José Cândido, mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Para ele, a passagem pelo Peru terá um significado pessoal para o pontífice. “O seu amor pelo Peru é notório. O objetivo é rever aqueles que foram cuidados por ele e que jamais lhe saíram do coração”, afirmou.

Desafios da Igreja Católica

Os especialistas avaliam que a visita pode estimular os fiéis em um momento de desafios para a Igreja, marcado não apenas pela redução do número de católicos, mas também por dificuldades de união dentro da própria instituição.

Coppe aponta que um dos dilemas atuais é compreender os rumos da Igreja diante das transformações da sociedade. Nesse cenário, a presença do papa pode contribuir para a reflexão sobre a instituição e a vivência da fé. “A imagem do papa é uma imagem que convida à reflexão sobre a própria vida e sobre os dilemas de ser cristão nas sociedades contemporâneas”, disse.

Histórico de papas na América Latina

A viagem de Leão XIV dá continuidade a uma relação histórica entre o Vaticano e a América Latina. Seu antecessor, o papa Francisco, visitou diversos países do continente e esteve no Brasil em 2013, quando participou da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro.

Ao longo do pontificado, Francisco também passou por Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba, México, Colômbia, Chile, Peru e Panamá. Ele não chegou a visitar a Argentina, seu país natal.

O primeiro papa a visitar a América Latina foi Paulo VI, que esteve na Colômbia em 1968. Já João Paulo II foi o primeiro a visitar o Brasil. Ao todo, foram quatro viagens ao país. A primeira ocorreu em 1980 e incluiu passagens por diversas cidades, entre elas Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Recife, Salvador, Belém, Teresina e Fortaleza.

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