Crise externa conduzida pelos EUA é incorporada ao discurso político por governo federal e oposição; PT foca em Tarcísio e ignora Flávio Bolsonaro
Da esquerda para direita: Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio (Republicanos), Lula (PT) e Gleisi (PT) (Foto/Senado/Agência Brasil/ Presidência)
A recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, movimentou o tabuleiro político brasileiro, com as eleições de outubro de 2026 servindo de pano de fundo para uma disputa antecipada por protagonismo político.
Ao voltar a Brasília após dias de descanso na Restinga da Marambaia, base da Marinha no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá pela frente uma agenda cheia: lidar com a crise venezuelana, avançar na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e definir eventuais substituições na Esplanada, como a do ministro Ricardo Lewandowski.
Na oposição, a disputa eleitoral já se desenha. Pré-candidatos de direita comemoraram a captura de Maduro, enquanto Lula condenou a ação. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o episódio de “início da libertação do povo venezuelano”. Governadores como Romeu Zema (MG), Ratinho Júnior (PR) e Caiado (GO) reagiram positivamente. Já Eduardo Leite (RS) divergiu um pouco dos elogios.
Enquanto isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), usou a crise para ganhar visibilidade na disputa. Chamou Maduro de “ditador cruel e corrupto” e fez uma crítica velada a Lula, afirmando que “tudo isso só foi possível ao longo do tempo por causa da conivência, omissão e até apoio de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”.
No PT, a ministra da articulação política, Gleisi Hoffmann, respondeu às declarações de Tarcísio, citou um suposto "cinismo" e manteve a ofensiva contra o governador de São Paulo, ignorando Flávio Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para herdar seu capital político.
Para analistas em política eleitoral, o cenário mostra como crises externas e internas se entrelaçam com a corrida presidencial, influenciando estratégias, declarações e alianças que devem marcar o ritmo da pré-campanha nos próximos meses. Cerca de 150 milhões de brasileiros vão às urnas em 4 de outubro deste ano.
Na avaliação do advogado especialista em direito eleitoral Guilherme Barcelos, o episódio deve influenciar a eleição principalmente no discurso dos candidatos. Segundo ele, o tema tende a ser explorado a partir da defesa da soberania e do combate a ditaduras como principais eixos.
Para Barcelos, o confronto retórico tende a se intensificar, com acusações mútuas entre os campos políticos. Apesar das diferenças de discurso, há um ponto em comum: o cálculo eleitoral. “O horizonte é a capitalização política, ou seja, a busca por votos”, resume.
Fonte: O Tempo