Em suas respostas, Dilma se esforçou para desmontar a tese da acusação de que ela tenha praticado uma forma de estelionato eleitoral
Agência Brasil
Presidente Dilma Rousseff durante o seu depoimento ontem no Senado, onde também foi interrogada pelos senadores
O interrogatório da presidente afastada Dilma Rousseff ocupou toda a segunda-feira no Senado. Em suas respostas, Dilma se esforçou para desmontar a tese da acusação de que ela tenha praticado uma forma de “estelionato eleitoral” em 2014, quando teria ocultado a verdadeira situação das contas públicas durante a campanha eleitoral para ganhar votos.
A presidente apresentou gráficos e dados que demonstram que a crise econômica mundial se deteriorou a partir de outubro de 2014, piorando ainda mais em janeiro de 2015. Segundo ela, o preço do petróleo caiu e o dólar subiu em relação a todas as moedas do mundo, o que provocou impacto também sobre o real.
Ainda de acordo com Dilma, não era possível ao governo prever esse agravamento. “Eu não menti no processo eleitoral”, garantiu Dilma ao senador Magno Malta (PR-ES). “Ninguém sabia que teríamos uma queda de mais de US$40 [no barril de petróleo] nesse processo iniciado em outubro, durante a eleição, mas que fica intenso no início de 2015. Nós não controlamos, nem ninguém controla, a política do Banco Central americano, nem do governo americano”, completou.
Dilma também voltou a responsabilizar o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo processo que está sofrendo. Ao ouvir do líder do PSDB, senador Cássio Cunha Lima (PB), que o processo nasceu nas ruas e não na Câmara, a presidente retrucou: “Estou dizendo que é um golpe parlamentar. Não concordo que o processo veio das ruas de forma espontânea. Tratava-se de uma chantagem explícita do senhor Eduardo Cunha”, afirmou.
Durante todo o depoimento a presidente exemplificou situações em que seu governo teria sido sabotado na Câmara. Segundo ela, as chamadas pautas-bombas e a falta de funcionamento das comissões permanentes da Casa foram formas utilizadas para prejudicar o funcionamento do governo e propiciar o processo de impeachment. No fechamento desta edição, a presidente continuava respondendo aos questionamentos dos senadores.
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