POLÍTICA

Legislativo cobra a rescisão de contrato da PMU com Nutriplus

Gisele Barcelos
Publicado em 19/11/2021 às 22:35Atualizado em 18/12/2022 às 16:57
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Em sabatina com representantes da Nutriplus, vereadores contestaram falta de fiscalização quanto à qualidade dos produtos distribuídos aos alunos da rede municipal e cobraram da Prefeitura a rescisão do contrato com a empresa. A Administração Municipal posicionou que processo licitatório para fornecimento da merenda está sendo preparado.

A sessão foi marcada por clima tenso desde o início, com os vereadores Marcos Jammal (MDB) e Paulo César Soares (China) desafiando os representantes da Nutriplus a degustar em plenário uma refeição preparada com os produtos fornecidos no kit alimentação.

Os ânimos permaneceram exaltados quando os vereadores verificaram que ninguém da direção superior da empresa compareceu à reunião. A gerente da Nutriplus em Uberaba, Ângela Torcato, estava acompanhada apenas por um advogado da cidade, que foi acionado pela empresa para atuar como representante na sessão, mas que sequer tinha informações detalhadas sobre o contrato em vigor ou a atual situação legal da Nutriplus.

A postura contrariou ainda mais os parlamentares, que apontaram descaso da empresa em prestar esclarecimentos sobre os problemas apontados quanto à baixa qualidade dos alimentos fornecidos aos alunos da rede municipal.

Presente em plenário, a secretária municipal de Educação, Sidnéia Zafalon, também criticou a situação e disse estar decepcionada com a falta de respostas por parte da empresa. “Hoje recebemos um tapa na cara. Passou dos limites com um advogado contratado nos 45 minutos do segundo tempo”, declarou.

A titular da pasta manifestou que a Nutriplus vem sendo notificada por causa dos problemas na prestação de serviço, porém ressaltou que não há condições da saída imediata da empresa porque o município não teria estrutura para assumir o fornecimento da merenda escolar.

Por outro lado, foi informado aos vereadores que um processo de licitação já está sendo formatado. A equipe está, no momento, fazendo as cotações de preço para fechar o edital. No entanto, não houve posicionamento se a concorrência deve ser lançada ainda este ano e se poderia ser finalizada a tempo do início do próximo ano letivo.

Vereadores contestaram a falta de

fiscalização por parte do município

Apesar das críticas da própria secretária à Nutriplus, os vereadores também contestaram a Prefeitura por não fiscalizar se a empresa cumpria o previsto no contrato e seguia as especificações para a compra dos produtos a serem distribuídos no kit.

Sidnéia argumentou que a equipe de fiscalização conta com somente seis servidores e, também, está encarregada de verificar a merenda servida nas escolas, o que dificulta a conferência de todos os mais de 21 mil kits alimentação distribuídos. Ela afirma que os primeiros lotes foram analisados e estavam conforme o contratado. “Foi servido primeiro o melhor vinho e depois o vinho ruim”, alegou.

Já a gerente local da Nutriplus justificou que o serviço foi terceirizado para outra empresa, mas assegurou que foram comprados os produtos previstos no contrato. Ela afirma que uma amostra foi conferida, mas ela admitiu que a terceirizada acabou entregando itens diferentes para os alunos da rede municipal. Segundo ela, a troca do produto não foi autorizada pela Nutriplus.

As declarações apenas acentuaram as críticas por falta de fiscalização do cumprimento do contrato tanto pela Prefeitura quanto pela Nutriplus, engrossando os pedidos para o rompimento do contrato referente ao fornecimento da merenda escolar. O presidente da Câmara, Ismar Marão (PSD), chegou até a declarar que a Nutriplus teria cometido crime de estelionato por entregar produtos que não correspondiam ao previsto no contrato.

 

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