POLÍTICA

Mais de 300 empresários na cidade são suspeitos de receber Bolsa Família

Conforme relatório do Ministério Público Federal, 350 perfis de beneficiários suspeitos foram identificados em Uberaba

Gisele Barcelos
Publicado em 12/11/2016 às 22:16Atualizado em 16/12/2022 às 16:37
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O Ministério Público Federal expediu recomendações a 4.703 prefeituras para realizarem visitas domiciliares a beneficiários do programa Bolsa Família suspeitos de não cumprir os critérios para recebimento do benefício. Uberaba está entre municípios notificados e a Prefeitura comunicou na semana passada que a determinação está sendo cumprida.

O MPF analisou todos os valores pagos pelo Bolsa Família no período de 2013 a maio de 2016. As recomendações às prefeituras foram expedidas de julho a setembro deste ano, com prazo de 60 a 120 dias para os gestores municipais informarem o número de irregularidades confirmadas e de benefícios cancelados. As respostas dos gestores ainda estão sendo recebidas e processadas pelo órgão.

Conforme relatório do Ministério Público Federal, 350 perfis de beneficiários suspeitos foram identificados em Uberaba e o grupo recebeu pouco mais de R$1 milhão pelo programa Bolsa Família no período analisado. O montante sob investigação corresponde a 2,97% do total de benefícios pagos no município.

O levantamento do MPF ainda aponta que R$21,1 mil em benefícios teriam sido pagos a 12 pessoas já mortas em Uberaba. Além disso, 318 beneficiários são suspeitos de ser empresários e terem recebido R$946,9 mil irregularmente do programa. Há ainda 20 casos em investigação de servidores públicos, com clã familiar até quatro pessoas, que teriam recebido R$45,4 mil em benefícios. A apuração das possíveis irregularidades está sendo conduzida pela Procuradoria da República em Uberaba.

Na semana passada, a Prefeitura informou ao Jornal da Manhã que 320 beneficiários já estavam com o pagamento bloqueado desde outubro em função da análise realizada pelo Ministério Público. A administração municipal também posicionou que os perfis ficariam com a liberação de recursos suspensa até a atualização dos cadastros. Uma equipe de assistentes sociais, inclusive, já estava realizando visitas in loco para verificar a situação verdadeira de cada caso.

Os pagamentos a perfis suspeitos de irregularidades totalizam mais de R$3,3 bilhões em todo o país, conforme o levantamento do MPF. Foram identificados mais de 870 mil beneficiários suspeitos de receber irregularmente o Bolsa Família. Em Minas Gerais são 50.539 beneficiários em investigação, o que corresponde a R$174,4 milhões em pagamentos suspeitos.

O Estado com maior incidência de possíveis irregularidades foi Roraima, com 8,89% de recursos do programa pagos a perfis suspeitos. Já o Estado do Pará apresentou o menor percentual de perfis suspeitos com relação ao total de recursos pagos pelo programa (1,62%). Minas Gerais registrou índice de 2,65%.

Ainda de acordo com a análise do Ministério Público, apenas 30 cidades não apresentaram indícios de pagamento suspeito. O Rio Grande do Sul é o Estado com maior número de municípios sem indícios de irregularidade (21), seguido de Santa Catarina (seis), São Paulo (dois) e Minas Gerais (um).

Os casos suspeitos foram identificados por meio de ferramenta de inteligência desenvolvida pelo Ministério Público Federal a partir do cruzamento de dados públicos fornecidos pelo próprio governo federal, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Receita Federal e pelos Tribunais de Contas estaduais e municipais.

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