Na noite de ontem, a Pró-Saúde encaminhou nota onde diz que a Prefeitura se comprometeu em realizar o repasse na próxima segunda-feira (20) para que ela regularize os salários dos médicos
Jairo Chagas
UPA São Benedito continua atendendo apenas aos casos de urgência e emergência, sem data para acabar com a greve dos médicos
Pró-Saúde não liberou salários atrasados ontem e médicos das UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) continuam paralisados por tempo indeterminado. Desde segunda-feira (13) os profissionais realizam apenas o serviço de urgência e emergência. O atendimento ambulatorial na ala verde está suspenso e, até o momento, não há previsão para normalizar o funcionamento das UPAs.
Em nota, a Pró-Saúde havia posicionado no início da semana ao Jornal da Manhã que todos os esforços estavam sendo feitos para que o pagamento aos médicos fosse regularizado até ontem. No entanto, a situação não se confirmou e gerou mais insatisfação dos profissionais.
À noite a organização social encaminhou nova nota em que diz que “a Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, entidade filantrópica e sem fins lucrativos, informa que a Prefeitura comunicou que irá realizar o repasse do valor na próxima segunda-feira (20/03), para que regularize a parcela em aberto dos médicos. Os médicos das unidades já foram comunicados da nova data”.
Ressaltando que os atrasos são recorrentes, a coordenação do movimento grevista informou que os salários de janeiro e fevereiro ainda não foram pagos e o problema pode se agravar no próximo mês.
De acordo com as informações da coordenação, a Pró-Saúde contrata os médicos por meio de uma empresa terceirizada. O contrato atual termina na próxima semana e um novo processo foi aberto para selecionar nova empresa. “Com a saída da empresa, os médicos estão com medo de não receber também o salário de março”, continua o texto.
Secretário diz que vai monitorar o atendimento neste fim de semana
Sem consenso entre a Pró-Saúde e os médicos, a Secretaria Municipal de Saúde posiciona que UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) serão acompanhadas neste fim de semana para verificar o impacto da paralisação no serviço prestado. De acordo com o titular da pasta, Iraci Neto, os pacientes foram orientados ao longo da semana a procurar as unidades básicas de saúde nos bairros para o atendimento ambulatorial, recorrendo às UPAs apenas em casos de urgência e emergência. Com isso, foi possível minimizar os efeitos da paralisação até agora. No entanto, as unidades básicas fecham aos sábados e domingos, o que pode aumentar a demandas nas UPAs no fim de semana. “Vamos acompanhar de perto para ver o impacto disso nestes dias”, pondera. O secretário também reforça que a Prefeitura está em dia com os repasses à Pró-Saúde. Ele explica que o contrato prevê o pagamento de 40% do valor mensal no dia 4 de cada mês e o 60% restante, no dia 20. Segundo ele, a primeira parte foi depositada na data prevista e a liberação da outra parcela também será cumprida. “O nosso compromisso é que na segunda-feira faremos repasse dentro do que foi acordado e está em contrato”, assegura. Embora o pagamento esteja em dia, a Pró-Saúde argumenta que o valor mensal pago para a prestação de serviços nas duas UPAs está aquém das demandas de atendimento. Processo de negociação está em andamento para um reajuste do contrato. O município solicitou que a entidade apresente um levantamento com números concretos. O documento deve ser entregue no próximo mês pela organização social para dar continuidade à discussão da revisão do valor do contrato. (GB)