
Investigação da PF aponta atuação em invasões digitais e ocultação de provas em favor de Daniel Vorcaro (Foto: Senado Federal do Brasil)
BRASÍLIA – O foragido Victor Lima Sedlmaier, alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, foi preso neste sábado (16/5) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após cooperação entre a Polícia Federal (PF) e a Interpol. A informação foi confirmada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, à reportagem de O TEMPO em Brasília.
Segundo a investigação, Victor Sedlmaier integra o grupo conhecido como “Os Meninos”, apontado pela PF como especializado em ataques cibernéticos, invasões de sistemas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal em benefício do empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
De acordo com as informações, o investigado foi localizado no aeroporto de Dubai e está sendo trazido de volta ao Brasil ainda neste sábado pelo Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo Andrei, o desembarque estava previsto para as 17h45.
Sedlmaier era um dos alvos de mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro do STF André Mendonça durante a 6ª fase da operação, deflagrada na quinta-feira. Até então, ele era considerado foragido.
A investigação aponta que o grupo hacker era liderado por David Henrique Alves, que continua foragido. Em depoimento prestado antes da operação, Victor afirmou que trabalhava para David desde julho de 2024, realizando tarefas de informática, manutenção de computadores e desenvolvimento de softwares de inteligência artificial.
A PF também suspeita que ele tenha participado da destruição ou retirada de provas ligadas ao esquema. Segundo a decisão de Mendonça, Victor teria “limpado” o apartamento de David Alves um dia após a prisão de Vorcaro, durante a terceira fase da Compliance Zero, em março deste ano.
Os investigadores ainda apontam indícios de uso de documentos falsos. Em uma abordagem feita pela Polícia Rodoviária Federal no início de março, agentes encontraram um documento em nome de “Marcelo Souza Gonçalves”, mas com a foto de Victor Sedlmaier. O documento estava dentro de um carro ligado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” de Vorcaro.
Para a PF, o episódio reforça suspeitas de fuga, ocultação de identidade e apoio à organização investigada por crimes financeiros, lavagem de dinheiro e espionagem digital.
Fonte: O Tempo