Somente para manter o atual valor da passagem, as empresas apresentaram proposta de subsídio superior a R$30 milhões
Prefeita Elisa Araújo diz que a busca da administração é por alternativas de financiamento que garantam a sustentabilidade do sistema. (Foto/Divulgação)
"A intenção é manter ou até reduzir a tarifa. Nenhum gestor quer onerar o usuário do transporte, mas os municípios sozinhos não conseguem assumir os custos". A afirmação é da prefeita Elisa Araújo, em entrevista à Rádio JM, nesta terça-feira (3).
As negociações entre o governo municipal e as concessionárias do transporte coletivo de Uberaba ainda estão em andamento. No final de 2025, as empresas protocolaram junto à Secretaria de Mobilidade Urbana a planilha que aponta necessidade de reajuste de 68,9% na tarifa de ônibus.
Durante a entrevista, a chefe do Executivo relembrou que assumiu a Administração Municipal em 2021, em meio à pandemia, quando houve queda acentuada no número de passageiros. “Me lembro quando eu entrei, em 2021, em plena pandemia, as pessoas mal andavam de ônibus, porque estavam se preservando. De lá para cá, diminuiu o número de passageiros porque a comunidade se rearranjou, reduziu o fluxo e escolheu transportes alternativos. Isso prejudicou o sistema como um todo”, reconheceu.
Segundo a prefeita, a redução na demanda impactou diretamente o equilíbrio financeiro das concessionárias. Ela explicou que, no ano passado, o município destinou cerca de R$16 milhões em subsídio para evitar aumento da tarifa, mas o valor não teria sido suficiente. Para 2026, a estimativa apresentada pelas empresas ultrapassa R$30 milhões para manter o preço atual sem reajuste.
“A gente quer manter ou, se possível, até diminuir o valor da passagem, porque sabemos que o trabalhador já ganha pouco e muitas vezes fica tendo que despender do seu salário para poder andar de transporte coletivo. E a gente quer buscar uma sustentabilidade no transporte público. Essa é uma realidade não só de Uberaba, mas de todas as cidades de médio e de grande porte. O governo federal precisa subsidiar e passar recursos para os municípios para podermos bancar esse sistema que, inclusive, o de Uberaba é muito elogiado", explicou.
A prefeita ressaltou que a busca da administração é por alternativas de financiamento que garantam a sustentabilidade do sistema. Ela defendeu maior participação do governo federal no custeio do transporte público urbano, tema que, segundo informou, está em debate nacional. “O sistema não se sustenta sem dinheiro. Existe uma discussão nacional para poder destinar recursos aos municípios, porque o nosso caixa vai sangrando a cada ano que passa. Imagina que o ano passado a gente pagou R$ 16 milhões, e a empresa já apresentou que esse valor não foi suficiente e, para esse ano, menos ainda. Já ultrapassa de R$ 30 milhões a necessidade do subsídio para não aumentar a tarifa de ônibus", disse.
Elisa ainda completou: "O município, às vezes, tem que tirar de outro local para poder botar nessa fonte. E, ano após ano, a gente vai aumentando o custo em todas as frentes da administração. Pensar que, de toda arrecadação do município, somente 10% chegam aqui. A gente fica refém, buscando recursos do governo federal e estadual, porque é lá que fica o dinheiro. Então, essa é a discussão que está em voga."
Elisa comparou a situação local com a de outras cidades de porte semelhante, citando que municípios como Uberlândia destinam valores ainda mais elevados ao subsídio do transporte coletivo, também enfrentando dificuldades.
De acordo com Elisa, a Administração Municipal segue em negociação com as concessionárias e com parlamentares em busca de uma solução definitiva. Enquanto a planilha de custos permanece sob análise da Secretaria de Mobilidade Urbana, o impasse sobre o possível reajuste da tarifa continua sem definição.