Economista avalia que alta do petróleo e dos fertilizantes tende a elevar custos de produção e afetar o planejamento de setores estratégicos da economia local
Conflitos no Oriente Médio podem refletir na economia de Uberaba. O alerta é do economista Marco Antônio Nogueira, que ressalta alta no petróleo e nos fertilizantes. Segundo ele, setores como transporte, agronegócio e indústria podem sofrer aumento de custos, impactando o frete, a produção agrícola e o abastecimento de insumos estratégicos.
Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, o especialista explicou que o preço do barril de petróleo, que pode oscilar entre 80 e 108 dólares, impacta diretamente os planos de investimento de empresas como a Petrobras, além de gerar reflexos na produção de fertilizantes, especialmente a ureia e a amônia, que dependem do gás natural importado. “Com esse preço do fertilizante, da ureia, da amônia, isso compromete a safra de 2027”, alerta Nogueira.
O economista destacou que o aumento do custo do diesel, utilizado no transporte e na indústria, pode elevar os fretes e, consequentemente, o preço de produtos agrícolas e insumos. “Primeiro, navios estão parados, o seguro subiu. E nós, no Brasil, temos um problema sério: estamos fora das grandes rotas de navegação, ou seja, é mais caro já trazer para cá”, explica.
Nogueira também ressaltou que os impactos sobre o agronegócio vão além do transporte. “Aqueles países são grandes importadores de milho, carne bovina e de frango, e isso vai ficar afetado. Faz um plano de negócio prevendo entrega a X dólares e, no meio do caminho, aumenta o frete ou não há transporte disponível, isso altera todo o planejamento”, ressalta.
Além disso, o economista destaca a influência de outros mercados, como o chinês, sobre o desempenho da economia local. “Se a China entra em uma pequena recessão ou apresenta problemas no mercado imobiliário e bancário, isso pode reduzir o crescimento e impactar diretamente a demanda por commodities brasileiras, como carne, soja e milho”, analisa.
Para o economista, o cenário exige planejamento e acompanhamento constante do mercado internacional, já que oscilações externas podem refletir diretamente no custo de vida, na produção agrícola e no ritmo da economia local nos próximos anos.