Vereadora afirma que apoio a chapas diferentes para a Mesa Diretora não deveria interferir na relação partidária
(Foto/Montagem)
A divergência entre os vereadores Rochelle Gutierrez e Diego Rodrigues, ambos do PDT em Uberaba, voltou ao debate após a presidente municipal da legenda comentar o pedido de desligamento do colega da vice-presidência da comissão provisória. Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, Rochelle confirmou que recebeu a solicitação e defendeu a autonomia dos parlamentares nas articulações para a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal.
O desentendimento veio à tona durante as negociações para a composição da próxima Mesa Diretora. Em entrevista anterior ao Jornal da Manhã, Diego afirmou que perdeu a confiança na relação de liderança com Rochelle após ela participar de conversas de um grupo político e, posteriormente, aparecer ao lado de integrantes de outro.
Ao comentar o episódio, Rochelle afirmou que não havia um acordo entre os dois para que as decisões políticas fossem tomadas conjuntamente. Ela também ressaltou que, desde o início dos mandatos, cada vereador teve liberdade para conduzir a própria atuação parlamentar. “Eu particularmente não tenho esse acordo com o vereador Diego de tomar as decisões conjuntas, tanto é que, assim que nós assumimos na Câmara Municipal, lá em 2025, cada um teve autonomia para assumir seus mandatos", esclarece.
A vereadora também questionou a avaliação de Diego sobre uma suposta divisão de liderança dentro do partido. Segundo ela, a formação da chapa do PDT nas eleições municipais de 2024 foi conduzida por ela e por outra integrante da legenda, com participação de candidatos e apoiadores mobilizados durante o processo.
Rochelle afirmou que recebeu o pedido de desligamento com respeito e solicitou a alteração da comissão provisória. Segundo ela, a formalização ainda dependia de procedimentos no sistema da Justiça Eleitoral, que, conforme relatou, apresentou instabilidade na semana anterior à entrevista.
Rochelle afirmou que considera legítimo que os vereadores apoiem diferentes grupos na disputa pela presidência da Câmara e que as decisões parlamentares não devem ser confundidas com as obrigações partidárias. “Eu nunca me posicionei no sentido de interferir no mandato de outro parlamentar e entendo que o vereador tem total liberdade para apoiar qualquer chapa na eleição da Mesa Diretora", informa.
Durante a entrevista, ela também criticou a exposição pública das divergências e afirmou que, em sua avaliação, as posições de mulheres na política são mais frequentemente questionadas. A vereadora citou também a participação da vereadora Luciane Facchinelli nas discussões e disse considerar o assunto resolvido de sua parte.
Além do cenário municipal, Rochelle comentou os desafios do PDT após o desempenho eleitoral e a necessidade de reorganização da legenda. Segundo ela, a direção nacional tem reunião prevista para 30 de outubro, quando devem ser discutidas possibilidades para o futuro do partido, incluindo uma eventual federação com outras siglas.
Entre as alternativas mencionadas por Rochelle estão conversas com o PSB, o Avante e o PRD. Ela ressaltou, porém, que ainda não havia uma definição. “Eu permaneço no partido, acompanhando toda essa discussão que vai acontecer, afirma.
A vereadora também defendeu mudanças na organização partidária e na distribuição de recursos, especialmente para ampliar a participação de municípios do interior nas decisões das legendas.
O pedido de desligamento de Diego da direção municipal, por sua vez, não significa necessariamente a saída dele do PDT. Conforme noticiado anteriormente pelo JM Online, o vereador afirmou que ainda avaliava os próximos passos e não havia definido uma eventual mudança de partido.