TRATAMENTO ONCOLÓGICO

Tratamentos contra câncer estão entre os maiores gastos do plano dos servidores

Unimed aponta alta utilização do convênio e índice de despesas acima das receitas; Prefeitura quer mapear causas das internações para investir em prevenção

Larissa Prata
Publicado em 26/08/2026 às 07:56
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Os tratamentos oncológicos estão entre os atendimentos que mais pesaram nos custos do plano de saúde dos servidores municipais de Uberaba no último ano. O dado foi apresentado pela Unimed à Comissão Multidisciplinar do Programa de Atenção à Saúde do Servidor (Comass), junto com um indicador que chamou atenção para o uso do convênio: a chamada sinistralidade chegou a 137,47% entre julho de 2025 e junho deste ano.

Simplificando, isso significa que as despesas médicas geradas pelos beneficiários ficaram acima da receita considerada no cálculo do plano. De forma aproximada, para cada R$ 100 recebidos no período analisado, foram gastos cerca de R$ 137 com consultas, exames, internações, tratamentos e outros atendimentos de saúde. A própria ata da Comass classifica o percentual como elevado em relação à média do contrato.

A apresentação feita pela Unimed reuniu informações sobre titulares, dependentes e agregados e mostrou como os beneficiários utilizaram o plano ao longo de 12 meses. Foram analisadas consultas eletivas, atendimentos de pronto atendimento, exames e internações. Entre os procedimentos de maior impacto financeiro, os tratamentos contra o câncer aparecem em destaque.

O documento não informa, porém, quantos pacientes estão em tratamento oncológico, quanto foi gasto especificamente nessa área nem qual a participação desses atendimentos no custo total do plano. Também não é possível concluir que o câncer seja o principal responsável pelo índice elevado. A ata registra apenas que os tratamentos oncológicos estão entre aqueles que mais impactaram as despesas no período.

Diante dos números, a Comass decidiu aprofundar a análise sobre a utilização do convênio. A Unimed deverá apresentar na próxima reunião um levantamento dos principais motivos que têm levado servidores e dependentes a internações hospitalares. A intenção é identificar quais problemas de saúde aparecem com maior frequência e, a partir disso, direcionar ações de prevenção e promoção da saúde.

A lógica é tentar agir antes que determinadas condições evoluam e exijam tratamentos mais complexos ou hospitalizações, com impacto tanto para a saúde dos beneficiários quanto para os custos do plano. A idade média dos usuários vinculados ao contrato municipal é de 44 anos.

O alerta surge poucos meses depois de mudanças nos valores do convênio. Em junho, o contrato com a Unimed foi prorrogado por mais 24 meses e recebeu reajuste de 8,45%.

Além do aumento, servidores que optaram por modalidades superiores ao plano básico também foram atingidos por cobrança retroativa. Ao todo, 2.874 funcionários tiveram valores referentes ao período entre outubro de 2025 e maio deste ano divididos em quatro parcelas, medida que provocou reação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Uberaba (SSPMU).

Apesar da sinistralidade de 137,47%, a ata da Comass não aponta novo reajuste do plano, aumento de mensalidade ou cobrança adicional neste momento. O índice funciona, por enquanto, como um alerta sobre a relação entre o que entra no contrato e o que está sendo gasto com a assistência médica de servidores e dependentes, além de motivar a Prefeitura a buscar um retrato mais detalhado das causas de internação.

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