Em sabatina a representantes da Nutriplus ontem, vereadores cobraram da Prefeitura a rescisão do contrato com a empresa e também contestaram falta de fiscalização quanto à qualidade dos produtos distribuídos aos alunos da rede municipal.
A sessão foi marcada por clima tenso desde o início, com os vereadores Marcos Jammal (MDB) e Paulo César Soares (China) oferecendo aos representantes da Nutriplus uma refeição preparada com os produtos fornecidos no kit alimentação. Eles foram inclusive desafiados a degustar em plenário o feijão cuja a qualidade foi questionada anteriormente pelo Legislativo.
Os ânimos permaneceram exaltados no plenário, quando os vereadores verificaram que não havia a presença da direção superior da empresa. A gerente da Nutriplus em Uberaba, Angela Torcato, estava acompanhada apenas por um advogado da cidade que foi acionado pela empresa no dia para atuar como representante na sessão, mas que sequer tinha informações detalhadas sobre o contrato em vigor ou a atual situação legal da Nutriplus.
A postura contrariou ainda mais os parlamentares que apontaram descaso da empresa em prestar esclarecimentos sobre os problemas apontados quanto à baixa qualidade dos alimentos fornecidos aos alunos da rede municipal.
Presente ao plenário, a secretária municipal de Educação, Sidneia Zafalon, também criticou a situação e disse estar decepcionada com a falta de respostas por parte da empresa. "Hoje recebemos um tapa na cara. Passou dos limites com um advogado contratado nos 45 minutos do segundo tempo", declarou.
A titular da pasta manifestou que a Nutriplus vem sendo notificada por causa dos problemas na prestação de serviço, porém ressaltou que não há condições da saída imediata da empresa porque o município não teria estrutura para assumir o fornecimento da merenda escolar.
Por outro lado, foi informado aos vereadores que um processo de licitação já está sendo formatado. A equipe está no momento fazendo as cotações de preço para fechar o edital. No entanto, não houve posicionamento se a concorrência deve ser lançada ainda este ano e se poderia ser finalizada a tempo do início do próximo ano letivo.
Fiscalização - Apesar das próprias críticas da secretária à Nutriplus, os vereadores também contestaram a Prefeitura por não fiscalizar se a empresa cumpria o previsto no contrato e seguindo as especificações de produtos adquiridos.
Sidneia argumentou que a equipe de fiscalização conta com somente seis servidores e também fica encarregada de verificar a merenda servida nas escolas, o que dificulta a conferência de todos os mais de 21 mil kits distribuídos. Ela afirma que os primeiros lotes foram analisados e estavam conforme o contratado. "Foi servido primeiro o melhor vinho e depois o vinho ruim", alegou.
Já a gerente local da Nutriplus justificou que o serviço foi terceirizado para outra empresa, mas assegurou que foram comprados os produtos previstos no contrato. Ela afirma que uma amostra foi conferida, mas ela admitiu que a terceirizada acabou entregando itens diferentes para os alunos da rede municipal. Segundo ela, a troca do produto não foi autorizada pela Nutriplus.
As declarações apenas acentuaram as críticas por falta de fiscalização do cumprimento do contrato tanto pela Prefeitura quanto pela Nutriplus, engrossando os pedidos para o rompimento do contrato referente ao fornecimento da merenda escolar. O presidente da Câmara, Ismar Marão (PSD), chegou até a declarar que a Nutriplus teria cometido crime de estelionato por entregar produtos que não correspondiam ao previsto no contrato.