Uma injeção aplicada a cada dois meses para prevenir a infecção pelo HIV pode passar a ser oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento, chamado cabotegravir, está em análise para possível incorporação à rede pública, e a população pode participar da consulta pública sobre o tema até 31 de agosto.
O cabotegravir é um medicamento antirretroviral de longa duração utilizado como profilaxia pré-exposição (PrEP). A estratégia é voltada para pessoas que não têm HIV e apresentam risco aumentado de exposição ao vírus.
Atualmente, o SUS já disponibiliza a PrEP principalmente por meio de comprimidos, utilizados conforme orientação dos profissionais de saúde. A versão injetável surge como uma alternativa para quem enfrenta dificuldades em manter o uso regular da medicação oral.
Apesar de ser aplicada por injeção, a nova tecnologia não é uma vacina. O medicamento libera gradualmente uma substância antiviral no organismo para impedir que o HIV consiga estabelecer a infecção em caso de exposição.
O esquema avaliado prevê duas doses iniciais, com intervalo de quatro semanas. Depois, as aplicações de manutenção seriam realizadas a cada oito semanas.
O uso exige avaliação e acompanhamento de profissionais de saúde, além da realização periódica de testes para HIV.
A possível incorporação do medicamento também não elimina a necessidade de outras formas de prevenção. A PrEP não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), e o acompanhamento pode incluir testagem regular e o uso de preservativos.
O cabotegravir injetável recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, o que permite sua utilização no Brasil. Isso, porém, não significa que o medicamento já esteja disponível gratuitamente pelo SUS.
Agora, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisa a possibilidade de incluir a tecnologia na rede pública. A consulta pública recebe contribuições da população até o dia 31 de agosto.
As manifestações devem ser avaliadas juntamente com evidências científicas, custos e o possível impacto da incorporação no sistema público de saúde.
Caso o medicamento seja aprovado para oferta pelo SUS, ainda deverão ser definidos os critérios de acesso, o público que poderá utilizar a injeção e a estratégia de distribuição.
A possível chegada do cabotegravir à rede pública pode ampliar as alternativas de prevenção ao HIV, especialmente para pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário da PrEP em comprimidos.