Medicamento indicado para fase inicial da doença desacelera progressão, mas não oferece cura
O Leqembi atua na redução das placas beta-amiloides no cérebro (Foto/Eisai/Divulgação)
Um novo medicamento indicado para o tratamento do Alzheimer em estágio inicial deve chegar ao Brasil no fim de junho com custo elevado, ultrapassando R$ 8 mil por mês. O valor foi definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
O remédio, chamado lecanemabe, é aplicado por via intravenosa a cada 15 dias. Para um paciente com peso médio de 70 quilos, o tratamento mensal pode chegar a R$ 11 mil com impostos.
Aprovado pela Anvisa em dezembro de 2025, o medicamento atua na redução das placas de beta-amiloide no cérebro, substância associada à progressão da doença de Alzheimer.
Estudos indicam que o lecanemabe consegue desacelerar o avanço da doença, especialmente em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência inicial. No entanto, especialistas destacam que o tratamento não promove a cura nem a reversão dos sintomas.
Pesquisas clínicas apontam uma redução média de 27% na velocidade de progressão da doença ao longo de 18 meses de uso, o que pode representar alguns meses a mais de estabilidade cognitiva para os pacientes.
O uso do medicamento exige acompanhamento médico rigoroso e a realização de exames prévios, como ressonância magnética, além da avaliação de condições genéticas que podem aumentar o risco de efeitos colaterais.
Entre os possíveis efeitos adversos estão edema e hemorragia cerebral, o que restringe o uso em determinados grupos de pacientes.
Especialistas avaliam que, apesar das limitações, o medicamento representa um avanço no tratamento da doença por atuar diretamente em mecanismos biológicos ligados ao Alzheimer, abrindo caminho para o desenvolvimento de terapias mais eficazes no futuro.