O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem se popularizado como alternativa para perda rápida de peso, mas especialistas alertam que a mudança acelerada no corpo pode trazer impactos psicológicos. Segundo a psicóloga Thaís Pereira, além das transformações físicas, muitas pessoas enfrentam dificuldade para reconhecer a própria imagem após o emagrecimento.
De acordo com a especialista, o cérebro nem sempre acompanha as mudanças do corpo na mesma velocidade. “O emagrecimento rápido cria uma diferença de tempo entre a mudança física e a construção da imagem corporal. Às vezes demora para a pessoa se apropriar psicologicamente desse novo corpo”, explica.
Ela afirma que esse processo envolve não apenas fatores neurológicos, mas também emocionais. “Existe um tempo para reconstruir essa imagem e entender: esse sou eu agora, esse é o meu novo corpo, esse é o meu novo apetite”, ressalta.

Psicóloga Thaís Pereira. (Foto/Divulgação)
A mudança também pode afetar hábitos cotidianos. Segundo Thaís Pereira, muitas pessoas demoram a perceber que o apetite diminuiu após o tratamento. “É comum insistirem no mesmo prato de comida até entender que já não conseguem comer aquela quantidade”, observa. Situação semelhante já era relatada por pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.
Outro ponto de atenção, segundo a psicóloga, é a relação com a compulsão. Quando não trabalhada, ela pode apenas mudar de forma. “Se a pessoa não cuida da compulsão, ela pode se deslocar. Sai da comida e vai para o álcool, cigarro, compras, jogos ou até outras formas de comportamento compulsivo”, afirma.
Além das mudanças individuais, a especialista também chama atenção para a influência da cultura da magreza, reforçada pelas redes sociais. Segundo ela, a internet tem ampliado a pressão por determinados padrões corporais. “As redes sociais trabalham muito com imagens e com o nosso imaginário. A gente acaba se comparando o tempo todo com o que vê ali”, explica Thaís.
Esse cenário, de acordo com a psicóloga, pode reforçar a ideia de que a felicidade depende da aparência física. “Muitas vezes a pessoa acredita que, quando alcançar determinado corpo, todos os problemas vão se resolver. E quando isso não acontece, surge frustração”, diz.
Por isso, Thaís Pereira ressalta que o uso desses medicamentos deve ser feito com acompanhamento médico e, em alguns casos, também com orientação psicológica. “Nem todo mundo que usa a medicação precisa de acompanhamento psicológico, mas orientação e cuidado são importantes, porque estamos falando de um medicamento e de mudanças que vão além do corpo”, conclui.