A gravidez nos extremos da idade, tanto na adolescência quanto após os 40 anos, exige maior acompanhamento médico e pode trazer riscos para a gestante e o bebê. O alerta é da pediatra Sônia Silva, que explicou, em entrevista ao Pingo do J, como a idade materna pode influenciar na gestação e na saúde da criança.
Segundo a médica, com o avanço da idade aumentam as chances de complicações ainda durante a gravidez. “Quanto maior a idade, mais chance de perder o bebê pelo caminho. Às vezes a gestação não se sustenta porque os hormônios vão mudando e diminuindo”, explica.
Ela ressalta que, após os 40 anos, a gestação já é considerada de risco também pela maior incidência de alterações genéticas. “Algumas doenças genéticas acometem principalmente crianças de mães mais velhas, como a síndrome de Down”, afirma.
No outro extremo, a gravidez na adolescência também exige atenção especial. De acordo com a pediatra, jovens gestantes podem desenvolver problemas de saúde como hipertensão e eclâmpsia, quadro grave associado à gestação. Além disso, o corpo da adolescente ainda pode não estar totalmente preparado para o parto. “Muitas adolescentes ainda não têm a bacia completamente formada, o que pode dificultar um parto normal”, destaca.
Do ponto de vista biológico, a faixa etária considerada mais adequada para engravidar fica entre os 20 e os 30 anos. Ainda assim, a médica observa que o perfil das gestantes mudou nas últimas décadas, com muitas mulheres optando por ter filhos mais tarde. “Hoje elas se protegem mais e acabam engravidando depois dos 30, quando já têm mais estabilidade de vida. Isso tem sido cada vez mais comum”, disse.
Além das questões biológicas, a especialista ressalta que a gravidez na adolescência também pode estar associada a fatores sociais. “O adolescente ainda está aprendendo a cuidar de si. Então é necessário um olhar redobrado para a rede de apoio que essa jovem tem”, conclui.