TUMOR

Câncer de intestino: quando deve começar o rastreio e quais exames são necessários para diagnóstico

Tumor colorretal ocupa a terceira posição entre os tipos mais frequentes no Brasil

Nubya Oliveira/O Tempo
Publicado em 18/03/2026 às 08:08
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O tumor colorretal origina-se no intestino grosso, também chamado de cólon, e no reto, região final do trato digestivo e anterior ao ânus (Foto/iStockphoto/Divulgação)

O tumor colorretal origina-se no intestino grosso, também chamado de cólon, e no reto, região final do trato digestivo e anterior ao ânus (Foto/iStockphoto/Divulgação)

O câncer de intestino ou colorretal ocupa a terceira posição entre os tipos mais frequentes no Brasil, representando 10,39% dos casos, de acordo com o levantamento mais recente do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os dados também mostram que a doença é a segunda mais comum entre homens no Nordeste e figura entre as principais em incidência no país, com taxas de 10,3% entre homens e 10,5% entre mulheres. O crescimento dos registros em ambos os sexos acende um alerta, especialmente por se tratar de um tumor fortemente ligado a fatores como alimentação inadequada, obesidade, sedentarismo e predisposição genética.

A definição da idade ideal para iniciar o rastreamento do câncer colorretal ainda gera divergências entre entidades médicas. No Brasil, o Inca afirma que ainda não há uma idade definida, mas orienta a priorização do diagnóstico precoce, com a identificação antecipada de sinais e sintomas, seguida de tratamento adequado. O instituto também informou que está em desenvolvimento o Projeto Nacional para a Detecção Precoce do Câncer Colorretal, que prevê a análise das principais evidências científicas sobre o tema. A partir desse levantamento, deverão ser estabelecidas as recomendações oficiais, incluindo a definição da idade ideal para o início do rastreio.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) defendem o início aos 45 anos — ou até antes, se houver histórico familiar. Fora do país, uma revisão recente do American College of Physicians passou a recomendar que o monitoramento comece aos 50 anos, citando custos e riscos associados aos exames. A orientação acompanha a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas contraria outras instituições, como a American Cancer Society.

Os exames de rastreamento

O tumor colorretal origina-se no intestino grosso, também chamado de cólon, e no reto, região final do trato digestivo e anterior ao ânus. Dois exames são fundamentais para a detecção precoce do câncer de intestino: o teste FIT, que identifica a presença de sangue nas fezes, inclusive quando não é visível a olho nu; e a colonoscopia, um exame de imagem que permite visualizar o interior do intestino e avaliar seu funcionamento.

Conforme a coloproctologista Paula Conceição, o Brasil ainda não possui um programa nacional estruturado de rastreamento para o câncer colorretal pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Na prática, exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia estão disponíveis no SUS, mas costumam ser solicitados quando já há suspeita clínica ou em pacientes considerados de maior risco”, enfatiza.

Já na rede privada, o acesso ao rastreamento é mais abrangente, sendo coberto por vários planos de saúde e podendo ser solicitado por diferentes especialidades médicas. Entre os profissionais que costumam indicar os exames estão coloproctologistas, gastroenterologistas, clínicos gerais, médicos de família e até ginecologistas, que têm incorporado a colonoscopia ao cuidado integral da saúde. “Os médicos avaliam o histórico e o risco individual de cada paciente antes de indicar os exames”, explica Paula.

Março Azul-Marinho

O mês de março é conhecido pela cor azul-marinho em conscientização ao câncer de intestino. A campanha é realizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Na edição deste ano, as sociedades médicas trabalham com o tema "A Jornada da Vida", trazendo uma diretriz para o rastreamento que deve começar a partir dos 45 anos para a população em geral.

O dia 27 é conhecido como o Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal. Para marcar a data, o Hospital das Clínicas da UFMG (HC-UFMG) ampliou a oferta de colonoscopias para pacientes do SUS. Segundo o hospital, nos dias 24 e 26 de março, mais de 50 exames extras serão realizados em pacientes que já aguardam na fila de regulação. A iniciativa inclui ainda a distribuição de cartilhas informativas e a iluminação da fachada do hospital na cor azul, como forma de chamar a atenção para a importância da prevenção.

De acordo com o coordenador do Serviço de Endoscopia do HC-UFMG, Rodrigo Roda, o câncer colorretal pode se manifestar de diferentes formas, sendo o adenocarcinoma responsável por cerca de 95% dos casos. Ele explica que a doença geralmente se desenvolve a partir de pólipos adenomatosos, que são alterações na mucosa intestinal.

“Essas verrugas que aparecem no intestino devido a mutações genéticas podem crescer e virar câncer, processo que leva cerca de dez anos. Se a colonoscopia é realizada no tempo certo, temos a chance de retirar esses pólipos e impedir o aparecimento de tumor colorretal”, afirma. O médico também ressalta que o exame é rápido, seguro e realizado com sedação.

Fonte: O Tempo

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