
Neurologista alerta para aumento de casos de Alzheimer em pessoas mais jovens e reforça a importância de hábitos saudáveis, diagnóstico precoce e acompanhamento médico (Foto/Neurologista/Camila Batalha)
Tradicionalmente associada ao envelhecimento, a doença de Alzheimer tem aparecido cada vez mais cedo. Em entrevista à Rádio JM, a neurologista Camila Batalha destaca o aumento na procura de pacientes mais jovens com queixas cognitivas e alerta para casos precoces, em um cenário que levanta discussões sobre hábitos de vida e saúde mental.
Segundo a especialista, além do envelhecimento da população, que contribui para o aumento geral de diagnósticos, também há registros de Alzheimer em pessoas abaixo dos 65 anos, faixa considerada como início precoce da doença. Em alguns casos, os primeiros sinais podem surgir entre os 45 e 50 anos.
De acordo com a neurologista, mudanças no estilo de vida estão entre os fatores que podem influenciar esse cenário. A rotina acelerada, a redução de estímulos cognitivos, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e a piora na qualidade do sono estão entre os pontos de atenção. “Hoje, a gente tem menos estímulo cerebral e uma rotina mais intensa, o que pode impactar diretamente a cognição”, explica.
A médica também chama atenção para o papel da tecnologia. Embora facilite o dia a dia, o uso constante de dispositivos pode reduzir atividades que antes estimulavam o cérebro, como memorizar informações simples.
Outro ponto de alerta é a progressão da doença. Segundo Camila Batalha, os casos de Alzheimer de início precoce tendem a evoluir mais rapidamente do que aqueles diagnosticados em idades mais avançadas. “Eles costumam ter uma progressão mais acelerada, exigindo atenção e acompanhamento desde os primeiros sinais”, afirma.
Apesar disso, a especialista reforça que nem todo esquecimento deve ser motivo de alarme. Situações pontuais, como lapsos de memória em momentos de estresse, cansaço ou ansiedade, são comuns e nem sempre indicam um quadro de demência. Para diferenciar, é importante observar a frequência e o impacto desses episódios na rotina. “Entre os sinais de alerta estão a repetição constante de informações, a dificuldade em realizar tarefas habituais e esquecimentos que interferem nas atividades do dia a dia”, ressalta.
A neurologista também destaca a importância de investigar outras causas antes de fechar um diagnóstico. Deficiências de vitaminas, alterações na tireoide e transtornos emocionais podem provocar sintomas semelhantes. “Como forma de prevenção e controle, hábitos saudáveis são fundamentais. A prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, o sono de qualidade e o cuidado com a saúde mental ajudam a preservar as funções cognitivas ao longo da vida”, afirma.
O Alzheimer ainda não tem cura. Camila Batalha explica que há um medicamento em fase de testes que promete retardar os efeitos da doença, quando utilizado nos primeiros sintomas. Contudo, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa e progressiva. A especialista pondera, no entanto, que o tratamento deve ser adequado às particularidades de cada paciente, a fim de evitar a progressão da doença e trazer mais conforto.
Diante do aumento das queixas, a médica reforça a importância de procurar avaliação ao perceber alterações persistentes na memória. O diagnóstico precoce pode contribuir para um melhor acompanhamento e qualidade de vida dos pacientes.