MEDIDAS “VITRINE”

Inclusão de autistas vai além de salas sensoriais e exige acolhimento real nas escolas, diz deputada

Deputada diz que acolhimento, escuta e suporte pedagógico precisam vir antes de medidas de vitrine como salas sensoriais

Dandara Aveiro
Publicado em 04/01/2026 às 18:50Atualizado em 05/01/2026 às 12:46
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A inclusão de crianças autistas e neurodivergentes nas escolas precisa ir além de medidas simbólicas, como salas sensoriais, e priorizar o acolhimento, a escuta e o suporte pedagógico. Essa é a avaliação da deputada federal Duda Salabert (PDT). Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, a parlamentar reforça sobre a necessidade de revisão das práticas educacionais para atender efetivamente estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Para Salabert, o principal desafio é estabelecer um diálogo franco entre escola e família, capaz de identificar as necessidades específicas de cada aluno. “A prioridade é o acolhimento, é a escuta, é o processo educacional”, afirmou. Ela critica o foco excessivo em propostas de maior visibilidade, como salas sensoriais, sem que sejam garantidos aspectos básicos, como permanência, inclusão efetiva e acompanhamento educacional individualizado. 

A deputada destaca ainda que a contratação de profissionais qualificados, como monitores e psicólogos escolares, é fundamental para o acompanhamento cotidiano de crianças autistas em sala de aula. Segundo ela, apesar de existir uma lei nacional que prevê a presença de assistentes sociais nas escolas, a realidade está distante do previsto. “Cobrar da Prefeitura que tenha na sala de aula monitores profissionais qualificados para acompanhar essa criança é fundamental, e isso ainda não acontece na maioria das prefeituras do Brasil”, explicou. 

Salabert também associou o debate sobre inclusão escolar aos desafios mais amplos da saúde mental no ambiente educacional, que afetam tanto estudantes quanto professores. Para a deputada, o tema se tornou central na realidade das escolas e exige atenção permanente do poder público. “Hoje o maior motivo de afastamento de professor é saúde mental, é depressão, é ansiedade. Então nós temos que cada vez mais discutir a questão da saúde na escola.”, afirmou, defendendo políticas públicas integradas que articulem educação e assistência psicossocial. 

A parlamentar reforçou que políticas de inclusão devem priorizar a escuta das famílias e a adaptação do ambiente escolar às necessidades reais dos estudantes. "Lógico que as salas sensoriais são importantes, mas elas não são a prioridade. Então, a questão é que não estamos resolvendo questões básicas de acolhimento, inserção e permanência das crianças autistas”, afirmou. 

Legislação municipal 

Em Uberaba, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) implantou o Núcleo de Educação Inclusiva como estratégia para ampliar o atendimento a estudantes com deficiência, TEA e outras necessidades educacionais especiais. (https://jmonline.com.br/politica/educac-o-cria-nucleo-para-fortalecer-politicas-de-inclus-o-nas-escolas-municipais-1.561166) A iniciativa prevê acompanhamento pedagógico, orientação às escolas e formação continuada dos profissionais da rede municipal, com o objetivo de fortalecer a inclusão e garantir a permanência e a aprendizagem dos alunos. Além disso, o município avançou no campo legislativo com a aprovação de um projeto de lei que proíbe escolas particulares de recusarem a matrícula de estudantes com TEA, vedando práticas discriminatórias e a cobrança de valores adicionais, reforçando a proteção dos direitos desse público no ambiente escolar. 

Os avanços locais fazem parte de um cenário nacional em que a inclusão de estudantes autistas ainda está em desenvolvimento, com mais de 1 milhão de crianças e adolescentes com TEA ou outras condições neurodivergentes matriculados na educação básica no Brasil, segundo dados do MEC/INEP. “É preciso respeitar a neurodivergência, reconhecendo que existe uma diversidade neurológica entre as pessoas. Esse é o debate central da minha vida política: o respeito às diversidades”, concluiu a deputada. 

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