PROBLEMÁTICO

Quase 50 pacientes têm atendimentos prejudicados em Uberaba devido à retenção de macas hospitalares

Dandara Aveiro
Publicado em 08/01/2026 às 21:30Atualizado em 08/01/2026 às 21:31
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Uma denúncia de ouvinte da Rádio JM expôs dificuldades na transferência de pacientes entre unidades de saúde em Uberaba, em meio à retenção de macas hospitalares, situação que teria comprometido quase 50 pacientes nos últimos dias. Entre os casos está o de uma idosa de 79 anos, com fratura no ombro, que aguardou desde quarta-feira (7) transferência da UPA do Mirante para o Hospital Regional, realizada apenas na manhã desta quinta (8). Em nota, a Sociedade Educacional Uberabense (SEU) apontou como causa do problema a retenção de macas no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), que informou operar acima da capacidade pactuada. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que o hospital tem 159% de ocupação de leitos. 

Segundo relato da denunciante, irmã da paciente, embora uma ambulância tivesse chegado à UPA, a maca estaria retida no HC-UFTM, o que impedia o transporte, já que a idosa não poderia ser levada sentada. A filha da idosa, que acompanhava o atendimento, relatou ainda que cerca de 15 pessoas aguardavam transferência na unidade, todos enfrentando a mesma dificuldade em razão da indisponibilidade de macas para remoção. 

A SEU, administradora das Unidades de Pronto Atendimento, explicou que o transporte de pacientes até os hospitais é realizado por ambulâncias cedidas pelo município, nos casos em que não há necessidade de suporte avançado. No entanto, a entidade destacou que tem sido recorrente a retenção das macas das ambulâncias pelo HC-UFTM, o que resulta na baixa temporária dos veículos e compromete o fluxo de transferências. Segundo a instituição, apenas entre ontem e hoje, diversas macas permaneceram retidas, mantendo vários pacientes à espera de transporte, corroborando com o relato de familiares da idosa. 

Dados encaminhados pela SEU à reportagem apontam que, na UPA do Mirante, quarta-feira (7), foram registradas 11 transferências hospitalares prejudicadas e nove demandas de transporte de pacientes estáveis (COT) ou com necessidade de suporte avançado (TC) comprometidas. Já nesta quinta-feira (8), havia sete transferências aguardando realização, um COT pendente e um transporte de TC, solicitado no dia anterior, que acabou sendo cancelado após o paciente ter a vaga aprovada mesmo sem a realização do exame. Na UPA São Benedito, ontem, 15 transferências hospitalares foram afetadas, além de um TC; enquanto hoje, a unidade ainda mantinha duas transferências aguardando e um transporte classificado pendente, todos impactados pela indisponibilidade de macas para remoção. 

De quem é a responsabilidade? 

Em nota, o HC-UFTM informou que o Pronto Socorro Adulto possui 22 pontos de cuidado pactuados com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mas que, nesta semana, vem operando com média de 45 pacientes, o que representa taxa de ocupação de 204%, caracterizando superlotação. Diante desse cenário, o hospital afirmou que a retenção temporária de macas ocorre de forma excepcional e emergencial para garantir a segurança e assistência dos pacientes, até que seja possível acomodá-los em leitos de internação. “Este processo não está associado à recusa de pacientes pelo hospital, uma vez que o HC-UFTM não possui governabilidade sobre a regulação de vagas. Tão logo seja possível a liberação das macas retidas, elas são realocadas aos serviços de origem, seguindo protocolo em vigor na instituição desde abril de 2024”, comunicou. 

Já a SMS ressaltou ao JM que a ocupação de leitos na rede está em 159%, conforme o último censo hospitalar, e que acompanha a situação por meio do Complexo Regulador Municipal, com atuação de equipes de desospitalização, do programa Melhor em Casa e de fiscais nas unidades. A pasta reforçou ainda que o HC-UFTM atende 27 municípios da macrorregião Triângulo Sul, sendo o único hospital da região com atendimento de alta complexidade 100% pelo SUS, o que explicaria uma possível superlotação da unidade. 

Vale lembrar que o Complexo Regulador Municipal é o responsável por analisar critérios técnicos, gravidade dos casos e disponibilidade de leitos. O sistema realiza cerca de três mil transferências de pacientes por mês em Uberaba e atua para garantir igualdade no acesso aos serviços hospitalares, evitando interferências externas ou privilégios. A retenção de macas, no entanto, tem sido apontada como um dos principais fatores que impactam diretamente a agilidade desse fluxo.

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