CANETA EMAGRECEDORA

Anvisa investiga 13 notificações de perda de visão associadas a canetas emagrecedoras

Casos envolvem medicamentos como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro; agência ressalta que notificações não comprovam relação de causa e efeito

Publicado em 27/09/2026 às 13:59
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA) em pacientes que utilizaram medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, da classe dos agonistas de GLP-1. A informação foi publicada inicialmente pelo site G1.

Segundo a apuração, as notificações envolvem cinco casos relacionados ao Ozempic, três ao Wegovy, dois ao Wegovy FlexTouch, dois ao Rybelsus e um ao Mounjaro.

A Anvisa esclareceu que, no sistema de farmacovigilância, as notificações são agrupadas por princípio ativo. Dessa forma, 12 casos estão associados à semaglutida, presente em Ozempic, Wegovy e Rybelsus, enquanto um está relacionado à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.

A agência também ressalta que um mesmo caso pode aparecer associado a mais de um produto. Além disso, o fato de um paciente ter utilizado determinado medicamento e posteriormente desenvolvido a doença não comprova, por si só, que exista relação de causa e efeito.

Até o momento, não há um comunicado oficial específico da Anvisa dedicado exclusivamente às 13 notificações. As informações foram obtidas pela imprensa a partir de apuração e de esclarecimentos prestados pela própria agência.

O que é a NOIA?

A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica é uma lesão rara do nervo óptico que pode ser comparada a um tipo de infarto nessa região.

A doença ocorre quando pequenos vasos responsáveis pela irrigação do nervo óptico ficam obstruídos, provocando a morte de parte das células nervosas. O quadro pode causar uma piora súbita e, muitas vezes, indolor da visão em um dos olhos, podendo deixar sequelas permanentes.

De acordo com o painel de farmacovigilância da Anvisa, desde 2018 foram registradas 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica, termo que reúne esses casos.

Além das 13 notificações relacionadas aos agonistas de GLP-1, o painel reúne 74 registros de outras complicações visuais em usuários desses medicamentos. Entre as queixas mais frequentes estão visão turva, com 37 registros, e comprometimento visual, com 29.

Como uma mesma notificação pode descrever mais de um sintoma, os números não correspondem necessariamente à quantidade de pacientes.

Fabricantes se manifestam

As fabricantes dos medicamentos também se manifestaram sobre o tema.

A Novo Nordisk, responsável por Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirmou que uma análise interna de seus ensaios clínicos não identificou aumento de casos de NOIA associado à semaglutida. A empresa também declarou que considera favorável o balanço entre os benefícios e os riscos dos medicamentos.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que monitora continuamente os dados de segurança de seus produtos, incluindo possíveis eventos oftalmológicos.

Casos ganham repercussão internacional

O assunto ganhou repercussão internacional após um grupo de pacientes nos Estados Unidos processar a Novo Nordisk, alegando risco de perda de visão provocado pela NOIA. A informação foi revelada pelo jornal The Wall Street Journal.

Um estudo observacional publicado na revista JAMA Ophthalmology apontou que o risco de NOIA seria de quatro a sete vezes maior entre usuários de semaglutida em comparação com pessoas que utilizavam outras medicações.

Os próprios pesquisadores, porém, ressaltaram que os dados não estabelecem uma relação de causalidade. Entre os fatores considerados está o fato de muitos dos pacientes também apresentarem condições como diabetes, que por si só pode provocar a doença.

Reação já consta na bula

Desde junho de 2025, por determinação da Anvisa, a NOIA consta na bula dos medicamentos que contêm semaglutida como uma reação adversa muito rara.

A decisão ocorreu após análises do Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamentos.

A Anvisa reforça que os casos continuam em investigação e que, até o momento, não há confirmação de relação causal entre as canetas emagrecedoras e a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA).

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