ELEIÇÕES 2026

Política pode adoecer relações e afastar famílias antes das eleições, alerta psicólogo

Profissional alerta que polarização e redes sociais intensificam ansiedade, irritação e conflitos que ultrapassam o campo das ideias

Juliana Corrêa
Publicado em 27/09/2026 às 16:02
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Com a aproximação das eleições de 2026, o debate político tende a ocupar cada vez mais espaço no cotidiano. E, para algumas pessoas, também pode trazer irritação, ansiedade e conflitos nas relações pessoais. O psicólogo Sérgio Marçal explica que a intensidade das emoções nesse período está relacionada ao significado que a política pode assumir na vida das pessoas. Segundo ele, mesmo diante do descrédito e das crises políticas dos últimos anos, a eleição ainda representa, para parte da população, uma expectativa de transformação social e de mudança da realidade. 

Esse envolvimento pode fazer com que a disputa eleitoral deixe de ser percebida apenas como uma escolha política e passe a ser vivida de maneira pessoal. Na avaliação de Sérgio, a divisão política e a tendência de assumir posições cada vez mais radicalizadas podem levar as pessoas a enxergar a disputa a partir da lógica de que um lado está certo e o outro, errado. Quando essa divisão é levada para a vida cotidiana, pode gerar rivalidade, desentendimentos e conflitos que ultrapassam o campo das ideias. 

As redes sociais também contribuem para intensificar esse processo, segundo o psicólogo. A circulação de notícias falsas, informações manipuladas ou retiradas de contexto, somada ao grande volume de conteúdos, pode favorecer a polarização. Para Sérgio, mensagens curtas e muitas vezes sem contexto colocam as pessoas diante de posições opostas e podem aumentar a divisão já existente, contribuindo para sentimentos como ansiedade, irritação e esgotamento. 

O impacto pode chegar a relações familiares e de amizade. Sérgio afirma que, em alguns casos, as pessoas passam a colocar a política no centro da própria vida e acabam deixando em segundo plano outros aspectos importantes, como família, religião e escola. Com isso, diferenças de posicionamento podem se transformar em rivalidades e provocar afastamentos. Para o psicólogo, esse processo é prejudicial porque fragiliza vínculos que são fundamentais para a vida em sociedade. 

Acompanhar política, no entanto, não é considerado um problema por si só. Sérgio avalia que buscar informação para compreender a realidade, exercer o voto de maneira consciente e participar da democracia é algo natural e saudável. O sinal de alerta aparece quando o interesse passa a se sobrepor às demais áreas da vida. Irritação constante, ansiedade, afastamento de pessoas e mudanças no funcionamento cotidiano podem indicar, segundo ele, que a política está recebendo uma parcela excessiva da energia emocional. 

Nesse sentido, o psicólogo defende que o confronto político permaneça concentrado nas propostas e não se transforme em uma disputa entre pessoas. Para ele, é possível defender aquilo em que se acredita sem transformar a diferença em rivalidade. A divergência faz parte da democracia, mas precisa ser vivida de maneira construtiva, sem comprometer os vínculos pessoais e familiares. 

A principal orientação de Sérgio para o período eleitoral é observar se a política continua sendo apenas uma parte da vida ou se passou a ocupar espaço excessivo. Caso esteja provocando ansiedade, irritação ou conflitos frequentes, ele recomenda rever a forma como essa energia está sendo distribuída. “Você pode e deve viver a política, mas de modo saudável e construtivo, e investir nos outros aspectos da vida”, afirma. Afinal, como lembra o psicólogo, as eleições passam, mas o trabalho, a família e as demais relações continuam fazendo parte da rotina. 

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