Um usuário do telefone 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), relatou ao Jornal da Manhã ter esperado mais de 10 minutos para conseguir atendimento e afirmou que a ligação caiu logo após ser atendido. A situação levantou questionamentos sobre o tempo de espera para acesso ao serviço, que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso. Procurado pelo JM, o CVV informou que a espera varia conforme o dia e o horário e pode ser maior durante a madrugada e aos fins de semana.
Segundo o relato encaminhado ao Jornal da Manhã, a demora causou preocupação justamente por se tratar de um serviço procurado por pessoas em momentos de sofrimento emocional. Para o denunciante, o tempo de espera pode ser um fator importante em situações de urgência. “Quem quer se matar, não espera 10 minutos. Esse tempo a pessoa já toma uma decisão”, disse.
A afirmação representa a percepção do denunciante sobre o risco associado à demora e não permite concluir, por si só, que uma pessoa em crise necessariamente tomaria uma decisão durante esse período.
Questionado sobre registros de demora no atendimento, o CVV informou que mantém uma Ouvidoria e recebe manifestações relacionadas ao serviço.
A instituição afirmou ainda que trabalha para ampliar o número de voluntários, mas destacou que a formação desses profissionais exige tempo. “Em função da alta demanda pelo serviço, continuamente buscamos ampliar nosso número de voluntários. Esse processo, destacamos, não é rápido, dada a especificidade do serviço”, ressalta.
O CVV não informou um tempo médio nacional de espera para atendimento pelo 188. Segundo a instituição, o período varia conforme o momento em que a pessoa procura o serviço e pode ser maior durante a madrugada e aos fins de semana.
A entidade também apontou que várias pessoas podem ligar simultaneamente, enquanto a quantidade de voluntários disponíveis para atendimento é limitada. Em nota, o CVV afirmou que o serviço é totalmente gratuito e mantido exclusivamente pelo trabalho voluntário.
Os dados dos relatórios de atividades do CVV mostram que a procura pelo telefone 188 permanece elevada ao longo de 2026. Somente no primeiro semestre, foram 745.848 ligações atendidas pela instituição.
Entre janeiro e março, o CVV registrou 372.001 atendimentos. Janeiro concentrou o maior volume do trimestre, com 131.177 ligações, seguido por março, com 122.290, e fevereiro, com 118.534.
No segundo trimestre, entre abril e junho, foram atendidas outras 373.847 ligações, número ligeiramente superior ao registrado nos três primeiros meses do ano. Abril teve 126.547 atendimentos, maio registrou 120.650 e junho, 126.650.
Os relatórios também apontam que o número de ligações recebidas é superior ao de atendimentos realizados. Segundo o CVV, a diferença está relacionada a fatores como a disponibilidade simultânea de voluntários, o tempo de atendimento e os períodos de maior procura.
No primeiro trimestre, o CVV registrou média de 2.213 voluntários ativos, que disponibilizaram cerca de 60 mil horas de trabalho para o atendimento. O CVV também foi questionado sobre o procedimento adotado quando uma ligação cai logo após o início do atendimento.
Segundo a instituição, não é possível retornar a chamada porque o serviço não mantém informações que permitam identificar quem entrou em contato. “O CVV é um serviço voluntário que tem entre os seus princípios o sigilo e o anonimato. Assim, não temos qualquer informação da pessoa que busca o serviço, além do que ela fala”, informa.
A instituição acrescentou que a qualidade da ligação depende da conexão de internet utilizada tanto pelo voluntário quanto pela pessoa que procura o serviço, já que as chamadas são realizadas por IP.
O CVV oferece atendimento gratuito pelo 188, além de canais digitais. Em situações de risco imediato, a orientação é procurar um serviço de emergência. O SAMU, pelo 192, atende situações de urgência 24 horas por dia. Também é possível buscar atendimento em UPAs, prontos-socorros, hospitais e serviços de saúde mental.