O desemprego no Brasil chegou a 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo dados da Pnad Contínua divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice havia sido de 5,2% nos três meses encerrados em novembro, período usado como base de comparação.
A taxa reflete a perda de vagas nos setores de saúde, educação e construção, comum no início do ano. Com isso, 6,2 milhões de pessoas com 14 anos ou mais estavam em busca de trabalho, 600 mil a mais que no trimestre encerrado em janeiro.
Na série histórica da Pnad, iniciada em 2012, o maior número de desocupados foi registrado durante a pandemia de Covid-19, no trimestre até março de 2021, quando quase 15 milhões de pessoas estavam sem emprego.
Além do desemprego, os indicadores de subutilização da força de trabalho também pioraram, passando de 13,5% para 14,1% no período. Esse índice inclui pessoas procurando trabalho, trabalhando menos do que gostariam ou que não estão procurando emprego, mas têm disponibilidade para trabalhar.
População ocupada e informalidade
O número de pessoas ocupadas alcançou 102,1 milhões, com queda de 0,8% em relação ao trimestre anterior (menos 874 mil pessoas), mas alta de 1,5% frente ao mesmo período do ano passado. A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,7% no trimestre encerrado em novembro e 38,1% um ano antes.
Renda média em alta
O rendimento médio do trabalho chegou a R$ 3.679 por mês no trimestre até fevereiro, alta de 2% em relação ao trimestre anterior e de 5,2% em 12 meses. Este é o maior valor da série histórica da Pnad em termos reais, considerando a inflação.
Como funciona o indicador
Segundo o IBGE, desempregadas são pessoas com 14 anos ou mais que não trabalham, mas estão disponíveis e procuram emprego. A Pnad Contínua, principal instrumento de monitoramento da força de trabalho, coleta informações em 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal, com cerca de 2 mil entrevistadores, a cada trimestre.
A taxa de desemprego é calculada como o percentual da força de trabalho formada por ocupados e desocupados. Os ocupados incluem trabalhadores formais e informais, com ou sem carteira assinada ou CNPJ.
Por que o desemprego está baixo
Economistas atribuem a taxa historicamente baixa a um mercado de trabalho aquecido, com contratações nos setores público e privado, além de mudanças demográficas e tecnológicas que influenciam a ocupação.