Quatro em cada dez estudantes brasileiras faltam à escola pelo menos uma vez por mês por causa de sintomas menstruais. O dado é de pesquisa inédita divulgada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.Info.
O levantamento ouviu 2,5 mil estudantes e 303 professoras do Ensino Fundamental e Médio, de escolas públicas e privadas em todas as regiões do país. Entre as docentes, 12% também relataram faltar ao trabalho mensalmente devido aos sintomas.
A cólica menstrual aparece como principal motivo das ausências, citada por 57,7% das alunas entrevistadas. Outros sintomas mencionados foram cansaço e dores no corpo (30%), dor de cabeça (28%), além de vergonha e medo de vazamentos (19%).
A pesquisa também aponta problemas estruturais nas escolas, como falta de banheiro adequado e dificuldade de acesso a produtos de higiene menstrual, situação relatada por 8% das estudantes.
Segundo os pesquisadores, as faltas frequentes podem provocar prejuízos no aprendizado e aumentar a defasagem escolar entre meninas. Especialistas defendem políticas públicas voltadas à saúde menstrual, com acolhimento nas escolas e acompanhamento adequado das estudantes.
O estudo ainda mostrou que a menstruação continua sendo pouco debatida no ambiente escolar. Entre os meninos entrevistados, 36,8% disseram não pensar sobre o tema, enquanto entre as meninas o índice foi de 19,7%.
Outro dado apontado pela pesquisa é que 36,5% das estudantes começaram a menstruar até os 10 anos de idade, e 65,2% tiveram a primeira menstruação até os 11 anos.