Operação Sem Desconto apreendeu também BMW, Mercedes, Land Rover e Porsche que, novo, não sai por menos de R$ 2 milhões no Brasil
Maços de dinheiro em espécie escondidos dentro de malas, carros de luxo avaliados em milhões de reais e dezenas de celulares apreendidos marcaram a nova fase da operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União na manhã desta quarta-feira (27/5).
O balanço parcial divulgado pela PF no início da tarde aponta a apreensão de R$ 287.254 em dinheiro vivo, 22 smartphones e dez veículos de alto padrão ligados aos investigados.
Entre os carros recolhidos estão modelos das marcas Porsche, BMW, Mercedes-Benz e Land Rover. Em um dos vídeos divulgados pela PF, aparece um Porsche preto conversível sendo levado pelos agentes. Dependendo da versão, um modelo zero quilômetro do veículo pode ultrapassar R$ 2 milhões no Brasil.
As imagens que mais chamaram atenção dos investigadores, porém, foram as dos maços de notas de R$ 200 encontrados embalados em sacos plásticos pretos lacrados, aparentemente escondidos dentro de uma mala de mão. Ao menos onze pacotes com dezenas de cédulas foram encontrados e recolhidos pelos investigadores.
A nota de R$ 200, lançada em setembro de 2020 pelo Banco Central, é a de maior valor em circulação no país e traz a imagem do lobo-guará. Apesar do alto valor, é uma das menos utilizadas no cotidiano e circula em quantidade menor que notas de R$ 100 e até antigas cédulas de R$ 1.
Luxo mantido com desconto indevido de aposentados
A nova etapa da Operação Sem Desconto mira um esquema nacional de descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a PF, os investigados são ex-servidores do instituto e dirigentes de entidades associativas suspeitas de lucrar ilegalmente com cobranças feitas diretamente nos benefícios previdenciários.
Entre as entidades citadas nas investigações estão Unibap, Abenprev, Amar Brasil, Master Prev, Aasap e Andapp, sediadas em Brasília e São Paulo. Parte dos suspeitos já utiliza tornozeleira eletrônica e responde a outras medidas cautelares.
Ao todo, agentes cumpriram 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas de monitoramento eletrônico expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba, além do Distrito Federal.
Segundo a PF, esta fase busca aprofundar as investigações sobre crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e dilapidação de bens. Os investigadores tentam rastrear o destino do dinheiro descontado ilegalmente de aposentados e pensionistas.
A operação Sem Desconto completou um ano em abril e já identificou suspeitas de fraudes milionárias envolvendo cobranças não autorizadas feitas diretamente nos benefícios pagos pelo INSS.
Fonte: O Tempo.