Um estudo nacional divulgado neste ano revelou que mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte materna em relação às mulheres brancas no Brasil. A pesquisa analisou dados entre 2000 e 2020 e apontou que quase 60% das 40,9 mil mortes maternas registradas no período ocorreram entre mulheres pretas e pardas.
O levantamento foi publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health e evidencia desigualdades raciais persistentes no acesso e na qualidade da assistência à saúde durante a gravidez, parto e pós-parto.
Segundo o estudo, a mortalidade materna considera mortes ocorridas durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez, desde que relacionadas ao período gestacional.
As principais causas de morte materna identificadas foram condições obstétricas mal definidas, hipertensão na gravidez, complicações no parto e problemas no pós-parto. Quase metade dos óbitos ocorreu justamente nos primeiros 42 dias após o nascimento do bebê.
A pesquisa também mostrou que mulheres indígenas apresentam índices ainda mais elevados, com mortalidade materna superior ao dobro da registrada entre mulheres brancas.
Especialistas apontam que fatores como racismo estrutural, dificuldade de acesso ao pré-natal de qualidade, início tardio do acompanhamento médico e falhas no encaminhamento para serviços especializados contribuem para o cenário.
Além disso, questões sociais e econômicas também influenciam diretamente. Mulheres com menor escolaridade e residentes em regiões mais vulneráveis do país enfrentam maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
De acordo com dados citados no estudo, o Brasil registrou, em 2024, índice de 57 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos. A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é reduzir esse número para até 70 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030.