FIEMG defende medidas permanentes para reduzir dependência do Brasil das oscilações internacionais do petróleo
A prorrogação do subsídio à gasolina anunciada pelo Governo Federal deve amenizar, no curto prazo, os efeitos da alta internacional do petróleo sobre consumidores e empresas, mas não elimina a necessidade de medidas permanentes para reduzir a vulnerabilidade do país às oscilações do mercado externo. A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que defende ações voltadas à segurança energética e à ampliação da capacidade de refino no Brasil.
Para a entidade, a medida emergencial pode conter parte dos impactos provocados pelas cotações internacionais, especialmente em um cenário de novas pressões sobre o petróleo relacionadas às tensões geopolíticas no Oriente Médio. “A prorrogação do subsídio contribui para reduzir, neste momento, os efeitos da alta das cotações internacionais sobre os custos de empresas e consumidores. No entanto, é importante avançar em medidas estruturantes que promovam maior estabilidade no mercado de combustíveis e ampliem a previsibilidade para a economia brasileira”, afirma Juliana Gagliardi, coordenadora da Gerência de Economia da FIEMG.
Os efeitos das oscilações internacionais já foram sentidos pelos consumidores de Uberaba. Em junho, o Jornal da Manhã mostrou que a gasolina chegou a passar de R$ 5,95 para R$ 6,59 em alguns postos da cidade em apenas um dia. Na época, o governo havia adotado um subsídio de R$ 0,44 por litro para tentar amenizar o impacto da alta do petróleo.
O cenário também atingiu outros combustíveis. Em março, levantamento do Procon citado pelo JM apontou que a gasolina havia acumulado alta de 3,35% em Uberaba desde o início do conflito no Oriente Médio, enquanto o diesel comum registrava aumento de 27,9%.
Mais recentemente, pesquisa divulgada pelo Procon e publicada pelo JM em 24 de agosto apontou preço médio de R$ 6,06 por litro para a gasolina comum no perímetro urbano de Uberaba. O valor permanecia estável em relação ao levantamento anterior, enquanto outros combustíveis apresentavam variações entre os estabelecimentos.
Segundo a FIEMG, a importância dos combustíveis para a economia vai além do impacto direto no bolso dos motoristas. A gasolina e, principalmente, o diesel influenciam custos de transporte, logística e diferentes cadeias produtivas.
Para a entidade, períodos de forte oscilação dificultam o planejamento das empresas e podem pressionar os custos de produção e distribuição. Nesse contexto, a FIEMG defende que o subsídio seja acompanhado por medidas de longo prazo. Entre as propostas estão a estruturação de reservas estratégicas e uma política industrial voltada ao aumento da capacidade de refino de petróleo no país.
A avaliação é de que uma maior capacidade nacional de processamento poderia diminuir a exposição da economia brasileira a choques externos e aumentar a previsibilidade para empresas e consumidores. A FIEMG reforça que a prorrogação do subsídio é importante para enfrentar o cenário atual, mas tem caráter temporário. Para a entidade, a manutenção de mecanismos emergenciais não substitui uma política capaz de lidar com a volatilidade do mercado internacional de petróleo.
A federação também aponta que novas tensões geopolíticas podem voltar a pressionar as cotações e, consequentemente, os custos de combustíveis, transporte e produção. Por isso, a entidade defende que a política energética brasileira combine ações de curto prazo, destinadas a reduzir impactos imediatos, com investimentos e medidas estruturais voltados à segurança energética e à competitividade da indústria.