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O ex-presidente Lula, após depoimento, deu entrevista coletiva e disse que a operação tinha de acontecer para que o PT pudesse levantar a cabeça
Polícia Federal realizou ontem operação na casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo (PT). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão no apartamento do petista e também mandado de condução coercitiva, sendo o ex-presidente conduzido para prestar depoimento no aeroporto de Congonhas e depois liberado.
Lula também teve sigilos bancário e fiscal quebrados por ordem do juiz federal Sergio Moro. Além disso, a Polícia Federal cumpriu ontem mandados de busca e apreensão no prédio do filho do ex-presidente, Fábio Luiz Lula da Silva, no Instituto Lula, na Odebrecht e na OAS.
As ações fazem parte da 24ª fase da operação Lava-Jato. A PF apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e do tríplex no Guarujá. O ex-presidente nega as acusações.
Após o depoimento à Polícia Federal, Lula foi ao diretório do PT em São Paulo e fez pronunciamento a militantes e à imprensa. O ex-presidente disse que se sentiu um prisioneiro e convocou as bases do partido para sair às ruas. "O que aconteceu precisava acontecer para que o PT pudesse levantar a cabeça", acrescentou.
Em nota, a presidente Dilma Rousseff (PT) reagiu à condução coercitiva do antecessor e considerou a medida desnecessária, ressaltando que Lula já havia comparecido voluntariamente para prestar depoimento em outras ocasiões.
O governador Fernando Pimentel (PT) também emitiu posicionamento oficial em apoio a Lula. Na nota, ele afirmou que as ações contra Lula e os familiares violaram os direitos individuais garantidos pela Constituição Brasileira a qualquer cidadão. “Vi com extrema preocupação o desenrolar dessa última etapa da chamada operação "Lava-Jato"[...] Não há nenhuma justificativa para esse ato, que ultrapassa o território judicial e mostra a intenção político-midiática que infelizmente está caracterizando esse tipo de ação. Manifesto aqui minha indignação, como cidadão e militante democrático desde a juventude.”, continua o texto.
Já na região, o prefeito de Uberlândia, Gilmar Machado (PT), se reuniu com militantes em praça pública e fez pronunciamento em defesa do ex-presidente. No discurso, o petista argumentou que os acontecimentos do dia são fruto de uma tentativa da oposição para desestabilização política no país. “As investigações onde houver indícios de corrupção precisam acontecer, mas que essa seja uma regra geral e não um pressuposto da perseguição política. Estaremos vigilantes e não aceitaremos um milímetro de retrocesso em nossa jovem democracia”, sentenciou.
O prefeito Paulo Piau (PMDB), que coordenou a campanha do PT no Triângulo Mineiro em 2014, também foi procurado por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura para opinar sobre o assunto, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.