Encontro público no Centro Administrativo vai revelar detalhes da planilha de custos e estudo que embasa a proposta de reajuste da passagem para R$6 e a concessão de subsídio de R$26 milhões às empresas

No início do mês, o estudo sobre a tarifa foi apresentado ao Conselho Municipal de Transporte Público de Uberaba. (Foto/Reprodução)
Audiência pública para apresentar detalhes sobre a tarifa do transporte coletivo urbano foi convocada para sexta-feira (20) no Centro Administrativo Municipal. Após a apresentação ao Conselho Municipal do Transporte Público, a reunião de sexta-feira é exigência legal antes da publicação de decreto definindo o valor da tarifa e encaminhamento à Câmara de projeto autorizativo para a concessão de subsídio às empresas.
Segundo a convocação, o encontro, que acontecerá das 17h às 19h, é aberto à população e servirá para apresentar as contas do sistema referentes a 2024 e 2025, além da planilha de cálculos atualizada em 1º de janeiro de 2026 e do estudo técnico que embasa o reajuste tarifário.
No início do mês, o Conselho Municipal de Transporte Público foi convocado para reunião extraordinária após a planilha apresentada pelas concessionárias indicar necessidade de reajuste de 68,9% na tarifa. Naquele momento, o JM já havia mostrado que a discussão não se restringia ao valor da passagem, mas envolvia também a prestação de contas do sistema e a busca de um modelo capaz de sustentar a operação.
Na reunião mais recente do conselho, técnicos da Prefeitura apresentaram estudo segundo o qual a chamada tarifa técnica, suficiente para cobrir o custo real do sistema, chegou a R$9,25. Ainda assim, a proposta levada ao debate foi de tarifa pública de R$6 para quem utiliza cartão de transporte e de R$7 para pagamento em dinheiro dentro do ônibus. Para viabilizar esse cenário, o Município estima conceder subsídio de R$26 milhões em 2026 para cobrir a diferença entre o custo real da operação e o valor cobrado do usuário.
Os números ajudam a explicar por que a audiência desta semana tende a ser mais do que uma formalidade burocrática. De acordo com o estudo apresentado pela Prefeitura, o sistema vem sendo pressionado por aumento de custos, especialmente do diesel, e pela queda no número de passageiros. A média mensal de usuários caiu de 743.791 para 679.916 no período analisado, redução de 8,59%. Ao mesmo tempo, 39% dos passageiros transportados utilizam algum tipo de gratuidade, enquanto 61% são pagantes.
Antes mesmo da apresentação do estudo, a prefeita Elisa Araújo já havia afirmado ao JM que a intenção do governo era manter ou até reduzir a tarifa, embora reconhecendo a dificuldade de fechar essa conta. Na ocasião, ela admitiu que o modelo atual sofre com a perda de passageiros e com a incapacidade de os municípios bancarem sozinhos os custos do sistema. Também lembrou que, em 2025, Uberaba destinou cerca de R$16 milhões em subsídio ao transporte coletivo, enquanto a estimativa das empresas para segurar o preço da passagem em 2026 ultrapassava R$30 milhões.
O pano de fundo da audiência também inclui sinais de desgaste na operação. Em janeiro, a Transube atribuiu atrasos no pagamento de salários e benefícios de motoristas ao desequilíbrio financeiro do sistema, afirmando que o déficit já passava de R$4 milhões em 2025. Nesta semana, usuários voltaram a relatar transtornos no serviço após a falta de seis motoristas afetar linhas do transporte coletivo, em mais um episódio que expõe a fragilidade da estrutura enquanto a discussão tarifária segue em aberto.
Pela convocação divulgada, quem quiser fazer perguntas precisa chegar antes, entre 16h e 17h, para realizar cadastro no local.